A Divisão dos não sectários

Este tema a cerca da divisão do corpo de Cristo é um tema que mexe muito comigo eu escrevi um pouco sobre isso contanto um pouquinho de uma expêriencia neste assunto acredito ter sido o primeiro texto do blog.  Estou postando este texto de Watchman Nee, grande irmão chinês, que trouxe e continua trazendo uma profunda edificação ao corpo de Cristo com seus ensinos, que venhamos a refletir e que possamos nos arrepender(metanóia) mudar nossas mentes e nosso caminho no que diz respeito a este tema. Pedro Quintanilha ><>

Alguns cristãos julgam que são superiores aos que dizem: “eu sou de Cefas”, ou “eu sou de Paulo”, ou “eu sou de Apolo”. Dizem “eu sou de Cristo”. Tais cristãos desprezam os outros como sectários e, por esse motivo, começam outra comunidade. Sua atitude é: “Vocês são sectários, eu não. Vocês são cultuadores de heróis, nós adoramos somente ao Senhor”.

Mas a Palavra de Deus não apenas condena os que dizem “eu sou de Cefas”, ou “eu sou de Paulo”, ou “eu sou de Apolo”. Ela denuncia de maneira muito definida e clara aqueles que dizem “eu sou de Cristo”. Não é errado considerar-se como pertencendo só a Cristo. É certo e essencial mesmo. Nem é errado repudiar todo cisma entre os filhos de Deus; é altamente recomendável. Deus não condena essa classe de cristãos por qualquer dessas duas coisas; ele os condena pelo próprio pecado que eles condenam nos demais – seu sectarismo.

Como protesto contra a divisão entre os filhos de Deus, muitos crentes procuram separar-se daqueles que estão divididos em organizações humanas, sem jamais imaginarem que eles mesmos são divisores!

A base que eles tomam para divisão pode ser mais plausível do que a de outros que dividem por causa de diferenças doutrinárias ou preferências pessoais por certos líderes, mas permanece o fato de que eles estão dividindo os filhos de Deus. Mesmo quando repudiam o cisma onde ele ocorra, eles são cismáticos.

Dizem: “eu sou de Cristo”. Querem dizer que os outros não são? É perfeitamente legítimo que diga “eu sou de Cristo”, se sua observação significa simplesmente a quem pertence; contudo, se significa “eu não sou sectário, estou numa posição muito diferente de vocês, sectários”, então ela está estabelecendo diferença entre você e os demais cristãos. A própria idéia de distinguir entre os filhos de Deus tem suas origens na natureza carnal do homem e é sectária.

Se considerarmos os outros cristãos como sectários, enquanto considerarmos a nós mesmos como não-sectários, estamos com isso fazendo distinção no meio do povo de Deus e, dessa forma, manifestando um espírito de divisão até no próprio ato de condenar divisão. Não importa que meio usamos para fazer distinção entre os membros da família de Deus – mesmo que seja com base no próprio Cristo, estamo-nos tornando culpados de cisma no Corpo.

Qual é, pois, a atitude certa? Toda exclusividade está errada. Toda inclusividade (dos verdadeiros filhos de Deus) está certa. As divisões denominacionais não são bíblicas e não devemos ser partidários delas; porém, se adotamos uma atitude de crítica e pensamos: “eles são denominacionais, eu sou indenominacional; eles pertencem a seitas, eu pertenço só a Cristo” – tal diferenciação é, definitivamente, sectária.

Sim, graças a Deus, eu sou de Cristo, mas a minha comunhão não é simplesmente com os que dizem “eu sou de Cristo”, porém com todos os que são de Cristo. Não devo me importar tanto com o que eles dizem, mas com o que são. Não indago se eles são denominacionais, sectários ou não-sectários. Só indago: São de Cristo? Sendo de Cristo, então são meus irmãos.

Nossa posição pessoal deve ser indenominacional, mas a base de nossa comunhão não é indenominacionalismo. Nós mesmos devemos ser não-sectários, mas não ousamos insistir no não-sectarismo como condição de comunhão. Nossa única base de comunhão é Cristo. Nossa comunhão deve ser com todos os crentes numa localidade, não meramente com todos os crentes não-sectários nessa localidade.

Eles podem estabelecer diferenças denominacionais, mas nós não devemos fazer exigências indenominacionais. Jamais devemos fazer diferença entre nós e eles, só porque eles fazem distinção entre si mesmos e os outros. Eles são filhos de Deus, e o fato de fazerem distinção entre si mesmos e outros filhos de Deus não os impede de ser filhos de Deus. O denominacionalismo ou sectarismo deles significa que são impostas severas limitações ao Senhor no que tange a seu propósito e mente em relação a eles, e isso significará que nunca irão além de certa medida de crescimento e plenitude espirituais. Bênçãos pode haver, mas plenitude do propósito divino, nunca.

Em todo o tempo, devemos manter uma atitude de inclusividade, não de exclusividade, para com os crentes que se encontram em diferentes igrejas denominacionais, pois eles, assim como nós, são filhos de Deus e vivem na mesma localidade; portanto, pertencem à mesma igreja que nós. Quando usamos o termo “nós” em relação aos filhos de Deus, precisamos incluir todos os filhos de Deus, não somente aqueles que congregam conosco. Se, quando nos referimos aos “nossos irmãos”, não incluirmos todos os filhos de Deus, mas somente aqueles que se reúnem regularmente conosco, então somos cismáticos.

Não desculpo o sectarismo e não creio que devamos defender diferenças sectárias entre uma igreja e outra, porém não nos compete induzir as pessoas a deixar sua congregação, ainda que seja sectária. Se nosso principal interesse é levar as pessoas a um real conhecimento do Senhor e ao poder de sua cruz, então elas se entregarão alegremente a ele e aprenderão a andar no Espírito, rejeitando as coisas da carne. Verificaremos não haver necessidade de acentuar a questão das denominações, porquanto o próprio Espírito as esclarecerá. Se um crente não aprendeu o caminho da cruz e a andar no Espírito, que adianta ele sair de uma determinada igreja? Levará consigo o sectarismo, que é inerente à carne, para onde for.

(Texto extraído do livro “A Vida Normal da Igreja Cristã”, Watchman Nee, Editora Cristã Unida, edição atualmente esgotada)

Veja também: https://reinoesacerdote.wordpress.com/2009/04/15/a-divisao-esta-no-coracao/

A divisão está no coração

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“Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e que como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também  sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós somos; eu neles, e tu em mim a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim.”(Jo 17; 20-23)

 

Temos falado muito neste tempo acerca da unidade da igreja, sobre relacionamentos fortes que fazem à diferença, mas uma coisa tem me incomodado e tenho sentido do Senhor de compartilhar com os irmãos, através deste artigo algo que creio ser de edificação para nós, a igreja do Senhor Jesus nesta terra.

 

Quando fui confrontado pela a palavra do Reino em minha vida, comecei a criticar e ver com maus olhos o sistema denominacional. Creio que de certa forma isso foi algo natural pois quando recebemos uma palavra nova tendemos a recusar o que vivíamos anteriormente, mas como toda história tem seus dois lados, eu fui ver como que o lado adenominacional agia e notei uma semelhança muito grande com o modo de agir das denominações, mesmo com discurso sendo outro.

 

Congrego na Metodista Central em Cabo Frio, por crer na visão da Igreja local, da igreja que se reúne em Cabo Frio, comecei a buscar estar com outros irmãos, de outras denominações e com os adenominacionas chamados de igreja da cidade que possuem um discurso anti-denominacional. Um terceiro grupo que tem me abençoado muito e me ajudou a enxergar que existe um equilíbrio entre estas duas vertentes foi o Projeto Ide, pois são irmãos que a meu ver tem buscado este equilíbrio.

 

Onde é que você quer chegar com isso? Você me pergunta.

 

Quero chegar à raiz do problema da divisão, que está muito longe das denominações. A criação de denominações é somente a conseqüência do verdadeiro problema.

 

O denominacionalismo não está em prédios, placas, cartório ou em outro lugar, na verdade a divisão está no coração de cada um de nós, como já citei acima muitos de nós possuem discursos belos, fabulosos e cheio de conteúdo “espiritual” a cerca da união, mas de que adianta termos discursos belos, nos chamarmos de igreja da cidade e agirmos de forma divisiva com os outros irmãos, achando que onde nós congregamos é o único lugar certo, que nossa liderança é perfeita e que os que não caminham da mesma forma que nós estão fora da visão ou ainda não encontraram a verdade. Cristo é a verdade, aqueles que encontraram o Senhor Jesus Cristo encontraram a verdade independente de vertentes doutrinárias.

 

“Porque , assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função, assim também nós, conquanto muitos somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros” (Rm 12.4,5)  

 

Como podemos dizer que cooperamos com a unidade da Igreja da cidade se muitas vezes falamos mal dos irmãos que estão nas denominações?

Como iremos marcar o mundo com o amor, se entre nós existe divisão?

Que amor é este que busca seus próprios interesses?

 

A divisão está DENTRO dos nossos CORAÇÕES!!!

 

Temos que dar uma basta nisso, pararmos de agir de forma divisiva.

 

“Porque assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo. Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo,quer judeus, quer gregos,quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado a beber de um só Espírito.” (1 Co. 12; 12,13)

 

 

Para mudarmos este quadro temos que:

 

Primeiro, reconhecer que Jesus Cristo é o Senhor da igreja, temos que nos submeter ao controle dele e deixarmos que ele nos guie através do seu Espírito e de sua Palavra.

 

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao pai senão por mim”(Jo 14;6)

 

Segundo, nos arrepender do nosso mau proceder, mudar o caminho, parar de falar mal dos irmãos sendo eles denominacionais ou adenominacionais. Arrependimento significa mudança de mente. Temos que mudar nossa mentalidade divisiva e deixar que o Senhor ganhe nosso coração moldando nossa mente segundo a Sua mente.

 

“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente…”(Rm 12;2)

 

Terceiro, buscar um caminho de santidade, pois a santidade é ser um com o espírito de Jesus, se formos santos, estaremos cooperando com a unidade, esta é uma conseqüência da vida em santidade.

 

“Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto na carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus.” (2 Co 7; 1)

 

Creio que existem três formas de união, elas são a uniões do corpo da alma e do espírito, pois cremos em nossa existência tricotômica. Nós podemos promover a união do corpo (físico) estando juntos e nos relacionado, e também a da alma quando escolhemos ser um com nossa esposa, mas só o Senhor Jesus pode promover a união espiritual, que é a mais importante dentre as três formas de união existentes.

 

Espero que venhamos a praticar o que temos aprendido do Senhor, que venhamos a cooperar com a unidade do corpo de Cristo em nossas cidades, que sejamos um assim como o Senhor Jesus é um com o Pai.

Pedro Quintanilha ><>