Desintoxicação Sexual – Conselhos aos Jovens Solteiros

Desintoxicação Sexual - Um guia para o jovem solteiro - Reino e SacerdoteAcredito que ajudará aos Jovens solteiros encontrarem forças e um caminho e liberdade. Meu desejo é que encontrem o escape oferecido pelo Espírito Santo e que se desenvolvam em santidade. Não parem de lutar! Existe esperança! É possível! Creia no amor de Jesus, busque o Senhor. Pedro Quintanilha ><>.

Segue Introdução do livreto:

Não é fácil ser um jovem rapaz hoje em dia. Talvez nunca tenha sido fácil, mas atualmente os
desafios que os jovens que querem se manter santos enfrentam parecem ser mais difíceis do que nunca. Você vive em um tempo em que a cultura parece estar toda entregue ao sexo. Ele está sempre ao seu redor e você mal consegue evitar sua sedução.

Aonde quer que você vá, você é encarado pelas tentações e, se você for igual à maioria dos
garotos, já começou a ceder a elas. Talvez você tenha acabado de começar a olhar pornografia, talvez você já esteja nisso há vários anos. Talvez você esteja lutando contra a masturbação, desejando não se dar este prazer, mas talvez tenha descoberto que é muito mais difícil parar do que você um dia imaginou. Talvez você tenha descoberto que, mais do que nunca, o sexo está enchendo a sua mente e impactando o seu coração.

Esse livreto é especialmente designado para homens jovens – aqueles que ainda não são
casados, mas que esperam casar-se no futuro. Talvez você não esteja namorando ou talvez você já tenha encontrado a mulher dos seus sonhos e já esteja perto de casar-se e construir uma vida juntos. Talvez a mulher dos seus sonhos pareça estar ainda muito longe. Não importa sua situação, eu quero usar este pequeno guia para ajudá-lo a descobrir o plano de Deus para o sexo e para a sexualidade.

Eu quero ajudá-lo a encontrar as mentiras em que você acreditou sobre o sexo e quero ajudá-lo a substituí-las pela verdade, que vem diretamente de Deus, que criou o sexo para nós.

TIM CHALLIES

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Modalidade e Sodalidade

No Brasil e em grande parte do mundo cristão, quase não se questiona a estrutura da igreja local, representada principalmente pelas congregações denominacionais. Para nós, igreja é sinônimo de instituição. Isso faz com que as estruturas missionárias não ligadas a uma denominação específica ou interdenominacionais sejam vistas como paraeclesiásticas –próximas da igreja, mas não parte dela. Daí conclui-se: se as congregações fossem “mais missionárias”, não precisaríamos das agências de missões.

No entanto, estudiosos que dedicaram-se à análise das formas como a igreja se apresenta ao longo de sua história identificaram duas estruturas diferentes e complementares; ambas compondo igualmente o corpo de Cristo. No Novo Testamento, vemos as igrejas locais, congregacionais –a modalidade– e os grupos missionários, especialmente o de Paulo –a sodalidade.

De acordo com o antropólogo e missiólogo Dr. Ralph D. Winter, as modalidades são “comunidades estruturadas nas quais não há distinção de sexo ou idade”, ou seja, fazem parte dela igualmente “velho e jovem, homem e mulher”; “é um organismo biologicamente perpetuável”. Entre as funções da modalidade estão: congregar, cuidar, nutrir os crentes locais e atuar no contexto social à sua volta. Por sua vez, as sodalidades são estruturas organizadas em torno de alvos específicos e de um senso comum de missão e visão. Exigem de seus membros uma segunda decisão, baseada em um chamado e vocação, e também o compromisso com um estilo de vida alternativo visando o alcance dos alvos, vivência da missão e implementação da visão. Entretanto, o nível de compromisso com o relacionamento com Deus e com incluir o próximo nesse relacionamento deve ser o mesmo em ambas as estruturas.

Dentro destas características, temos as modalidades sendo representadas ao longo da história pelas sinagogas cristãs dos primeiros séculos do Cristianismo, pelas paróquias e dioceses da igreja romana e, mais recentemente, pelas congregações denominacionais evangélicas. As sodalidades, por sua vez, são representadas pelos grupos missionários como o de Paulo, pelas ordens religiosas católicas, e pelas juntas e agências missionárias da Era Moderna.

Uma importante característica da sodalidade é sua autonomia. Observando a relação do grupo missionário de Paulo com a igreja de Antioquia, a qual o liberou para o trabalho que o Espírito Santo lhe havia enviado a fazer [Atos 13:1-4], podemos observar que Paulo era autônomo em relação a ela na tomada de suas decisões, mas totalmente submisso ao Espírito [Atos 16:6-10]. No entanto, não houve um rompimento de Paulo com esta igreja; pelo contrário, apesar de não ser governado por ela, Paulo reportou-se, prestou contas de seu ministério à igreja em Antioquia e a via como um lugar para onde podia retornar de suas viagens [Atos 14:26-28].

Há de se diferenciar aqui autonomia de independência. A sodalidade de Paulo era autônoma em relação à igreja que o liberou, ou seja, possuía capacidade de administrar-se livremente de acordo com as necessidades da missão a ser cumprida, mas não era independente no sentido de ausência de relações. Na verdade, este relacionamento entre modalidade e sodalidade é “tão fundamental” que dele provém grande parte dos escritos do Novo Testamento –as cartas enviadas de membros das sodalidades às igrejas locais. Vemos também que os membros da sodalidade são comumente provenientes da modalidade.

Enfim, há uma relação de interdependência entre as estruturas e ambas são legítimas na composição do corpo de Cristo. Funções diferentes, mas igual importância. Quando entendermos e vivermos isto, seremos realmente eficientes no cumprimento da grande comissão, pois assim refletiremos a união que Jesus mencionou como a característica pela qual o mundo reconheceria que Deus o enviou [João 17:21]. Duas estruturas, mas um só corpo.

Identificação, conceito e justiça

O zelo dos reformadores protestantes em retomar o Cristianismo em sua essência e criar uma identidade cristã fora do Catolicismo atropelou tradições cristãs que remetem historicamente à herança abraâmica. Com a privatização da Igreja no século 18, o Cristianismo moderno se distanciou ainda mais dessas heranças. O cristão se tornou um indivíduo afastado do meio, inerte em atividades elevadas ao estatuto de sagradas.

No final dos anos 1960, os frades dominicanos, envolvidos na luta contra a ditadura militar no Brasil, foram expressão da mudança de rumos da organização popular na sociedade brasileira. O Brasil vivia dois conflitos: a economia em mãos estrangeiras e o Estado em poder de autocratas militares. Partindo de uma nova maneira de ler a Bíblia e da preocupação com o que significaria ser cristão naquela conjuntura, abandonando a antiga dualidade entre fé e vida, a ordem dos dominicanos se tornou o embrião dos movimentos populares.

Durante o golpe militar, esses movimentos foram vistos como laboratórios de idéias comunistas e seus participantes perseguidos pelo regime autoritário; no entanto, a população encontrou entre eles a sua voz. “Quando dou pão aos pobres, chamam-me de santo, quando pergunto pelas causas da pobreza, me chamam de comunista”, diz Dom Helder Câmara.

Se com a supressão dos direitos constitucionais, perseguição política, prisão e tortura aos opositores, censura aos meios de comunicação, as pessoas imergiram em um universo despolitizado, a ordem dos frades fazia o caminho inverso. Mobilizaram-se para promover novos espaços públicos, amparar presos políticos e convergir grupos que, por ideologia, se posicionavam em resistência às injustiças contra o povo.

A desigualdade social, que ao longo da história é denunciada por diversos grupos, é costumeiramente fruto de mudanças nas ênfases econômicas e no modo de produção. Em Israel, por volta do século 8 a.C., a economia da nação, a exemplo do modo fenício, investiu no incremento do comércio em detrimento da agricultura; o que resultou, como afirma Toynbee, em “uma alteração quase revolucionária na distribuição da riqueza, com desvantagem para a maioria pobre da população.”

Nesse período reinava sobre Israel Jeroboão II. Seu reinado foi marcado por um período de expansão territorial e prosperidade. Mesmo com o cisma ocorrido anteriormente, na morte de Salomão –que dividiu a nação em dois reinos– Israel vivenciou no século 8 a.C. um período de estabilidade política e prosperidade econômica com a tomada da Síria pela Assíria, o que possibilitou a expansão territorial por meio da retomada das terras ocupadas pelo reino sírio. Todavia, o bem-estar econômico e político ocultava uma decomposição social. O contraste entre ricos e pobres denunciava injustiças e degradação moral.

Esses fatos são evidenciados nos escritos do profeta Amós, presentes na composição bíblica. Amós, contemporâneo de Jeroboão II, relata a sociedade da qual faz parte. A fluência e a construção de seu texto revela um homem em contato direto com as questões do seu tempo em matéria de sociedade, política e economia.

A palavra profeta chega a nós através do vocábulo hebraico nabi, ou “aquele que proclama”; um conceito diferente do utilizado hoje, que relaciona a palavra à predição. Dessa forma, o trabalho de Amós era o de anunciar a Israel o castigo que viria como conseqüência de suas práticas de injustiça. Fazendo-se uma voz contra injustiça, Amós denunciava as práticas sociais que iam contra o conceito de justiça presente na religião e na cultura hebraica.

A essência da ação de Amós se concentra na sua compreensão da idéia de Deus. Para ele, todo entendimento de Deus estava baseado no pressuposto de justiça. A moralidade e a justiça eram centrais em Deus. Dessa forma, ele apresenta em seu discurso a implantação da justiça como única via de remissão, colocando o homem como agente direto de transformação e responsável pelo destino da sociedade. Amós posiciona o homem como um agente social.

O caráter social da atuação dos profetas em Israel está relacionado à influência que eles representavam no campo das idéias. Sua maior responsabilidade não estava em estruturar um plano de reforma social propriamente dito, ou uma mobilização social em termos revolucionários, mas em produzir conceitos a serem lançados sobre a sociedade, que modificariam tanto o pensamento como a prática social. O filósofo José Luís Sicre, em sua obra Profetismo em Israel, aponta o caráter social da atuação dos profetas: “Um dos aspectos mais célebres e importantes da mensagem profética é constituído pela sua denúncia dos problemas sociais e pelo seu esforço em prol de uma sociedade mais justa.”

Na modernidade, com o apogeu do iluminismo, as sociedades ocidentais se empenharam em dissociar a religião das questões sociais humanas; retomando o conceito grego que diferenciava os espectros humanos entre mythos e logos, em que o mythos englobaria exclusivamente as questões intemporais, religiosas e de transcendência.

Desde então, a religião tem sido compreendida como responsável apenas pela espiritualidade do homem, não comunicando em nada com os enfrentamentos da sociedade em geral. Parecendo abusiva e fora de jurisdição qualquer crítica social ou atuação relevante, as sodalidades hoje enfrentam o dilema de responder a questões sociais em um mundo que não as compreende.

Na prática, as sodalidades religiosas buscam responder a três necessidades: identificação, conceito e justiça social. Sociologicamente, representam a capacidade humana de construir grupos com um propósito específico. Em Roma, por volta do século 7 a.C., o termo sodalitas englobava dois agrupamentos sociais: um político, outro religioso. As sodalidades políticas reuniam bens e habilidades de pessoas abastadas para se promover, enquanto as religiosas convergiam recursos e talentos para se ocupar das questões que envolviam a complexidade humana, seja em aspectos de moral, transcendência ou vivência.

Com a decadência do Império Romano, o conceito de sodalidade política se esvaneceu, permanecendo exclusivamente o de caráter religioso. Hoje, as associações que ousam se afastar do conceito iluminista sobre a prática religiosa para convergir habilidade, conhecimento e know-how estão fadadas a serem desacreditadas em sua finalidade. Na pós-modernidade esta prática parece ser legítima apenas às instituições do mercado.

Modalidade

Sodalidade

Comunidades estruturadas

Estruturas organizadas
Sem distinção de idade e sexo

Limitada por idade, sexo ou estado civil.

Organismo biologicamente perpetuável

Exige uma segunda decisão baseada em um chamado e vocação

Congregar, cuidar, nutrir crentes locais

Conceito, identificação e Voz contra a injustiça

Atuar no contexto social a sua volta

Alvos comuns, Senso comum de missão e visão

Prepara e capacita para o serviço e testemunho dos crentes locais

Compromisso com um estilo de vida alternativo visando o alcance dos alvos, vivência da missão e implementação da visão

Sinagogas cristãs do I Século, paróquias e dioceses da igreja romana e denominações evangélicas.

Grupos missionários como o de Paulo, Ordens Religiosas católicas e juntas e agências missionárias da era moderna.
Mantêm laços e apóia

Autonomia nas decisões, mas presta contas

Relação de Interdependência entre as estruturas e as duas são legítimas na composição do Corpo de Cristo

Nível de compromisso no relacionamento com Deus e no incluir o próximo neste relacionamento deve ser o mesmo em ambas

Fonte: Jocum DF

No amor de Jesus,

Pedro Quintanilha ><>

Os 8 Estilos de nossa Sociedade

1. O estilo deste mundo é o do pensamento débil:

Gianni Vattimo define a pós modernidade como uma espécie de Babel informativa, onde a comunicação  e os meios adquirem um caráter central. A pós modernidade marca a superação da modernidade com seus modelos fechados das grandes verdades, de fundamentos consistentes. A pós modernidade abre o caminho, segundo Vattimo, para a tolerância, para a diversidade. É a passagem do pensamento forte, metafísico, das cosmovisões filosóficas bem definidas, das crenças verdadeiras, para o pensamento débil.[1]  A pós modernidade é um estilo de pensamento que desconfia das noções clássicas de verdade, da razão, identidade e objetividade, para a idéia de progresso universal. Contra essas normas iluministas, considera o mundo como contingente, não explicado, diverso, instável, indeterminado, um conjunto de cultura desunidas ou de interpretações. Tudo isso gera um grau de ceticismo sobre a objetividade da verdade, a história, as normas, e a coerência das identidades.   


[1] Gianni Vattimo, El pensamiento débil, Ediciones Cátedra, 1995 Outros livros do autor traduzidos para espanhol são: Más allá de la interpretación, Paidós, 1995; Creer que se cree, Paidós, 1996; Después de la cristiandad, Paidós, 2003; Nihilismo y emancipación, Paidós, 2004; La sociedad transparente, Paidós Ibérica, 1998.

2. O estilo deste mundo é o da globalização.

O mundo globalizado instalou a tendência de nosso mundo a homologação, apesar dos movimentos nacionalistas, tribais e folclóricos. O que se conhece como o McWorld[1]. Vivemos no mundo das franquias, com a intencionalidade forte de que todos comamos o mesmo[2], vistamos igual[3], brinquemos igual[4], vivamos em cidades genéricas[5], tenhamos sistemas políticos e financeiros similares, debaixo de um mesmo componente cultural: o ocidental e especialmente o norte americano. O particular e diverso se “somam” ao pacote cultural homogêneo, com o propósito de introduzi-lo melhor. O ressurgimento do islamismo deu a impressão de se freava a ocidentalização, mas nada mudou profundamente[6]. Pierre Bourdieu dizia que a globalização não é um efeito mecânico das leis da técnica ou da economia, mas uma criação política. Uma progressiva criação do capitalismo com o propósito de estabelecer as melhores condições para seu funcionamento e dominação. Uma dominação suave e cativante que oferece uma mesma cultura propensa ao desenvolvimento do negócio. A globalização tem cor norte americana. O domínio norte americano começou com um fascínio por suas industrias. Junto com isso, sobreveio a influência social e moral: divórcios, competição feroz, direitos civis, o feminismo, o super individualismo, o stress, a ecologia, o neoliberalismo, o voluntariado, o gay, o shopping. Alcançou o status de primeira potência econômica nos anos vintes do século passado, alcançou um glamour humano na década dos trintas, sua apoteose nos cinqüentas, arrasou o mundo financeiro durante os oitentas e se fez império mundial depois da queda do muro de Berlim, em 1989. Nunca antes na história da humanidade um só pais reuniu tanto poder.[7]  A hegemonia norte americana depois da queda do muro de Berlim é indiscutível.[8] A arrogância militar e financeira tem deteriorado significativamente a imagem da superpotência. Isto faz com o capitalismo globalizado utilize uma nova estratégia. Não está para avassalar, mas para produzir amigos. Não busca ser temido, mas busca obter os melhores resultados por ser “encantador”. Uma presença sutil, suave.[9]


[1] Com a queda do muro de Berlim e o triunfo do capitalismo em nível universal, se popularizou a expressão McWorld para caracterizar o processo de globalização com sua correspondente colonização cultural.
[2] McDonald’s tem 30.000 estabelecimentos em 120 países com una clientela diária de 45 milhões de pessoas. A própria empresa denomina o mundo “McWorld”. É tão grande a penetração que por exemplo, a grande maioria das crianças japonesas crêem que os Big Mac são um invento japonês. A revista The Economist, estabeleceu o índice McDonald’s para conhecer si o tipo de cambio das diferentes moedas se encontra apropriadamente estabelecido.
[3] Tom Ford, diretor criativo de Gucci, declarava: “Eu não digo que goste da globalização o que não goste da globalização, mas creio que a geração depois da minha não conhece outra coisa. Eles se encontram expostos às mesmas coisas ao mesmo tempo e isto cria uma cultura na qual, ao redor de todo o mundo, a gente deseja as mesmas coisas e vive ao mesmo tempo” (The New York Times Magazine, 2-12-2001).
[4] Cada ano Mattel fabrica 150 modelos diferentes da boneca Barbie para abastecer aos clientes de todo o planeta, e tem adotado características latinas, africanas, asiáticas, mas sem que “sua alma” deixe de ser branca, ruiva e de olhos azuis, porque os próprios países compradores tem pedido que o produto seja autenticamente americano, a jovem que, a partir do ocidente chega “abrindo novas ilusões femininas”.
[5] São cidades iguais em seus aeroportos, seus centros comerciais, seus escritórios, seus hospitais. Pudong, um distrito de Shangai, com edifícios com referencia nos USA, segundo o primeiro ministro Zhu Rongji, está orientado a transformar-se em um “Manhattan oriental”. A demolição de velhos distritos das distintas cidades do mundo, para dar lugar a arranha-céus e autopistas, é um esvaziamento da memória, cujo propósito é que todos vivamos no “lugar comum, lugares de nenhuma parte e de todas partes.
[6] A metade dos adolescentes dos países árabes declara seu desejo de emigrar a Ocidente. Hoje há mais de 1.000 milhões de seres humanos matriculados para aprender inglês, enquanto que The Economist revela que nos USA somente 9 estudantes universitários se graduaram em árabe. Ao redor de 5000 príncipes sauditas tem investidos 600 bilhões de dólares nos USA. A cadeia Al Jazira reconhece “uma certa mentalidade ocidental como base de nossa política editorial”.
[7] No século XVI o comando imperial estava nas mãos da Espanha e Portugal; nos séculos XVII XVIII passou às mãos de França e Inglaterra. No século XIX se impunham as esquadras inglesa e alemã. Depois da segunda, a bipolaridade foi entre Estados Unidos e União soviética. Depois da queda do muro, um só governo decide sobre a marcha do mundo.
[8] O dólar estadunidense é usado em 83% das transações mundiais, e as empresas norte americanas controlam mais da metade das riquezas do planeta. No âmbito militar, o orçamento de 2004 apontou um gasto dos USA na sua defesa equivalente ao resto dos 191 países do globo. Mas o grande potencial não está nas suas armas , mas si nas vendas. Com 5% da população, sua produção equivale a 43% da economia do mundo.
[9]O crescimento de Starbucks, a empresa mais dinâmica dos EUA nos últimos dez anos, de máximo crescimento na Bolsa com 6000 estabelecimentos em 40 países (entre eles Líbano, Kwait, Omãn, Arábia Saudita) é uma mostra da nova penetração sutil. Enquanto McDonald’s oferecia uma experiência alimentícia, Starbucks oferece uma experiência chic, que penetra pela aparência internacional, intelectual, de estilo suave  européia, amistosa, artística. Os cafés são comparativamente caríssimos, porque são mais que um produto, sino una forma de ser.

3. O estilo deste mundo é o do novo capitalismo:

O capitalismo passou por três fases. A primeira é o capitalismo de produção, que foi desde os fins do século XVIII até a Segunda Guerra Mundial. Nessa etapa o principal eram as mercadorias. A segunda foi a do capitalismo de consumo, desde a Segunda Guerra até a queda do Muro de Berlim. A ênfase foi que os artigos estavam envolvidos pela mensagem da publicidade. E a terceira etapa, a atual, que Verdú chama de capitalismo de ficção, surgido no começo dos anos noventas, do século XX. E a ênfase é a importância dramática das pessoas. Os dois primeiros capitalismos se ocupavam primordialmente com os bens e o bem estar material, mas o atual capitalismo de ficção se encarrega das sensações, do bem estar emocional. Os dois primeiros abasteciam realidade de artigos e serviços, enquanto o capitalismo de ficção se  propõe produzir uma nova realidade, isto é, uma segunda realidade, ou realidade de ficção, com a aparência de ser uma realidade melhorada.  Desta maneira o capitalismo deixa de ser meramente uma organização econômica e se converte em civilização.

4. O estilo deste mundo é estilo do show:

A guerra santa, a responsabilidade moral das empresas, o comércio justo, o marketing com causa, a  “transparência” da política, a estética dos enxertos, a orgia futebolística, os reality shows, a vídeo vigilância universal, a cultura do Shopping, a cidade como parque temático, a democratização, a clonagem, são fenômenos do capitalismo de ficção, onde a realidade se convalida pela realidade do espetáculo. Segundo Baudrillard, o mundo contemporâneo se caracteriza por um processo de desmaterialização da realidade: o olhar do homem já não se dirige para a natureza, mas para as telas da televisão; a comunicação tem se convertido num fim em si mesma em um valor absoluto. Tudo é um espetáculo, e para isso é preciso converter o cidadão em um espectador, e vender as entradas a todo um planeta homogeneizado. “Os espaços onde compramos, onde viajamos, onde vivemos, vão num caminho de conversão num teatro onde somos atores e espectadores, clientes e artistas”.[1]  Ou como disse o famoso consultor internacional Tom Peters: “Todo o mundo já está no negócio do espetáculo”.[2] As técnicas do espetáculo estão incorporadas a religião, a educação ou a guerra e nenhuma atividade fica fora do show business, por que os cidadãos aspiram a não entediar-se nunca, escapando ao peso e gravidade da realidade. Erich Fromm sustentava a quase meio século, que o estado estava interessado em criar indivíduos deprimidos porque governar cidadãos depressivos seria sempre mais fácil aos efeitos da manipulação, e por que o individuo nesse estado não tem forças para protestar e rebelar-se. Mas hoje a estratégia é outra. O estilo atual do mundo tem comprovado que o individuo distraído, entretido, é o que menos protesta e deixa de rebelar-se. O titulo do livro de Neil Postman, “Amuzing Ourselves” (Divertir-nos até morrer) revela o objetivo deste tempo[3].  Na metade do século XX a industria da defesa foi chave no desenvolvimento norte americano. Mas hoje o primeiro lugar é ocupado, soberbamente, pelo setor do entretenimento[4].  Na Espanha se construiu nos últimos anos mais de 60 parques de ócio (lazer). Países em crise como Argentina em 2002, apesar da adversidade tem uma demanda crescente de entretenimento[5]. Tudo tem que ser divertido. A luta pelos pobres não se faz mais com atos revolucionários nem com protestos das massas, mas com recitais de rock. A única coisa que tem relevância é que seja divertido. Na Grã Bretanha os gastos em lazer e diversão têm superado os gastos com comida e bebida. “Nós vendemos felicidade”, é o slogan da Disney, “porque felicidade é o melhor produto do mundo”. Charles Baudelaire chamava a arte “os domingos da vida”, os momentos em que a experiência estética converte o tempo comum em festa. Mas hoje, na sociedade do espetáculo, que todos os dias da semana tente divertir-nos até morrer, sempre pode ser domingo.


[1] Jeremy Rifkin, A era do acesso, (Barcelona, Paidós, 2000).
[2] Tom Peters, Liberation Management, (Nueva York, Knopf, 1992).
[3] Neil Postman, Amusing  Ourselves to Death (Nueva York, Viking Penguin Books, 1986).
[4] Neal Gabler em seu livro Life: The Movie (Nueva York, Vintage Books, 1998) sustenta que a revolução do entretenimento representa a mais poderosa força social e econômica de nosso tempo.
[5] Já no fim do século passado se anunciava que o entretenimento trasladado aos locais comerciais seria o mais significativo fenômeno do novo século. Hoje se fala de entertailing, contração entre etertainment (entretenimento) e retailing (venta no varejo).
5. O estilo deste mundo é infantil:
 
Uma das agencias de publicidade maiores do mundo[1], criou um termo: AABKA, para qualificar aos novos adultos progressivamente infantilizados: “Adults Are Becoming Kids Again” (adultos voltando à infância de novo). Alguns chamam essa tendência de Vice is Nice (o vício é lindo), se referindo à inclinação infantil de procurar satisfações continuas e urgentes. Os adultos jogam cada vez mais, não somente nos esportes, mas com brinquedos. Os videogames contrariamente ao que se pensa, não é um passatempo de crianças e adolescentes exclusivamente, mas sobretudo de adultos.[2] O Play Station, é considerada pela Sony como modo de vida para adolescentes e adultos jovens. Não se pode subestimar essa infantilização. Nossa cultura globalizada avança para uma extraordinária complacência com a figura do menino ou com a adoração da mentalidade da criança. Nunca como nos últimos anos se publicou tantos livros sobre a regressão à infância. Os jovens resistem ser adultos. A escassez de compromisso político, a substituição da critica social pela manutenção passiva do status quo, as sérias dificuldades para assumir responsabilidades nos adultos, o abandono e negligência na educação das crianças, os programas de televisão mais vistos com um nível menor ao de um adolescente do nível secundário, o retorno aos heróis dos quadrinhos a vestimenta adulta com gorros (bonés), mochilas, camisetas estampadas em amplo crescimento. Não somente tenta apagar o passar dos anos da aparência física, mas da consciência. A ambigüidade da vida, que faz que os adultos tentem viver disfarçando-se de outros personagens, como faria uma criança. Talvez a apoteose como símbolo do infantilismo seja o lugar absolutamente desmedido que toma o espetáculo desportivo. As cidades não se mobilizam mais por uma greve geral, senão por uma partida de futebol. O futebol permite viver uma para-realidade infantilizada, sem ter sofrer os elementos duros da vida. A versão feminina são os programas de entrevistas (talk show) e os reality shows. Enquanto os homens se trasladam para a paranormalidade das partidas de futebol, as mulheres trocam sua realidade pela realidade das peripécias a que se expõe os personagens da televisão.

[1] Saatchi &Saatchi.
[2] A tal ponto que os fabricantes de automóveis se inspiram em morfologias de videojogos, isto é, a realidade imita a virtualidade. Modelos de Toyota, Suzuki, Chrysler, por exemplo, são cópias de morfologias de videojogos.

6. O estilo deste mundo é o estilo da falsificação:

O conceito de verdade está em crise. No modelo pós moderno a verdade tem sido substituída pela semelhança. Isto faz que vivamos no mundo da copia, da falsificação, da ambigüidade, da duplicidade, da reciclagem. O travesti na sexualidade. O corpo com os implantes e as cirurgias plásticas, a aplicação de células mães para evitar os defeitos do corpo. A clonagem. Mais de um terço do mercado discográfico são os discos piratas, que já não são tão piratas porque suas empresas pertencem à corporação do selo original.[1]

A China não só tem copiado a roupa e os produtos ocidentais, como tem copiado a própria cultura capitalista. Hoje se falsifica em todo o mundo até medicamentos.[2] Na Índia e em outros países se falsificam os cosméticos, isto é, se falsifica a aparência da aparência. A cosmética ocidental é mimetizada em uma cosmética da cosmética. Na Argentina há um mercado do “trucho” (falso), chamado  “A Salada” do qual participam milhares e milhares de pessoas de todo o mundo semanalmente para comprar todo tipo de produtos copiados. Este não é um fenômeno exclusivo dos países em desenvolvimento, mas o mesmo acontece com os chineses da 5a Avenida, em New York ou em Piccadilly Circus, em Londres. Já não se falsificam somente o produto, mas também aquilo que poderia ser a garantia de originalidade: os códigos de barra, as embalagens, os logotipos, os certificados de garantia, os envoltórios. Com o sistema digital a reprodução de obras de arte faz com que não se consiga distinguir entre o original e a cópia. Nessa mesma linha a ânsia pelo retrô é uma forma de copiar. O revival como cópia do passado.[3]  No início do século XX havia um entusiasmo por abraçar o futuro, havia uma visão otimista e projetiva, mas o início do século XXI coincidiu com o terror e ninguém quer ir mais longe, e todos temem o futuro. É como se a história houvesse parado e se começasse a reviver os acontecimentos do passado, como o nacionalismo, o racismo, as lutas étnico-religiosas, a ameaça nuclear, os populismos latino americanos, os discursos sobre os desaparecidos nos governos pós ditatoriais, os protestos anti globalização com as imagens do Che e a música de John Lennon. Muito do que vivemos tende a ser um déjà vu,  uma reedição do já vivido, já que não há esperança de um horizonte superador. O presente se faz presente mediante uma cópia do passado. A falta de compromisso com a circunstância presente é tão débil que a única âncora é o passado.[4]


[1] O selo discográfico EMI depois de lutar por anos contra a marca pirata Diva, hoje Marcal Records, optou por associar-se a ela e introduziu em seu catálogo de produtos “originais” os produtos “copiados”.
[2] Está  acontecendo gestações de crianças indesejadas com pílulas anticonceptivas falsas.
[3] O “revival” se dá na moda, nos automóveis, no reciclado no estilo dos edifícios, no auge da novela histórica, no gosto pelo clássico, nos tomos de obras completas, no renascimento de tradições e folclores, na re-decoração dos hotéis de maior categoria ao estilo dos começos do século XX, a proliferação dos museus, entre outras manifestações.
[4] Sempre existiu uma certa nostalgia pelo passado, mas a visão progressista considerava a história como processo e força criadora, hoje somente se trata de uma rememoração retórica que toma do passado para satisfazer a demanda da clientela do presente, porém sem projeto futuro. A história não é usada como instrumento de subversão, mas de preservação. A história forma parte do mundo do espetáculo, não busca inquietar, mas amenizar. A historia fica purgada de tragédia e o futuro eximido de projeto.

7.  O estilo deste mundo é o estilo do hiperindividualismo:

Luc Ferry chama o nosso tempo de a época do “ultraindividualismo”, Pascal Bruckner o tem batizado como “superindividualismo” e os sociólogos norte americanos, como Lash, o denominam “narcisista”. Lipovetsky qualifica este período de “segunda revolução individualista” ou passagem do individualismo limitado que inaugurou o século XVIII, para o individualismo total. Na atualidade, segundo Touraine, não se trata de buscar o sentido no mundo, mas o sentido de “minha” vida. O sistema o modelo da personalização dos artigos (customizados) para neutralizar o mal estar que padeciam os consumidores ao ser tratados em série, dentro do tosco capitalismo anterior. O capitalismo de consumo ofereceu grandes quantidades de objetos para aumentar a sensação de bem estar, mas agora, o capitalismo de ficção procura aumentar a impressão de  “ser alguém”. O sistema não se ocupa diretamente de nos fazer gastar muito, mas de nos fazer crer que no quanto valemos. [1] A marca não se impõe, mas coopera em fazer o “eu”; as empresas não pressionam para que gastemos para seu proveito, mas para que invistamos, sobre tudo, em nós mesmos. Na política já não se trata de construir uma ideologia determinada e forte, mas de acomodar-se às solicitações do eleitorado. Na nova psicoterapia, altamente pragmática, se renuncia em prescrever uma mudança nas condutas do cliente, se tal correção o incomodar: o melhor é recorrer aos medicamentos. Custa, para as empresas, quatro ou cinco vezes mais captar um novo cliente do que conservar ao que tem, assim que, sobre tudo deve-se cuidar de não espantá-lo. O bombardeio de conselhos (livros de auto ajuda, anúncios publicitários, recomendações medicas, opiniões midiáticas) tudo para desenhar interminavelmente um outro  eu melhor. Paradoxalmente a centralidade no eu, é acompanhada da falta de uma identidade clara. Hoje há uma aglomeração de “eus” substitutos e contraditórios. No capitalismo de ficção, não se fala de classes sociais, mas de classes de vida. A luta de classe foi sucedida pela luta para ser eu, e a luta pela revolução tem continuado no afã para que ser alguém. O escritor Walter Truett Anderson dá quatro termos que os pós modernistas usam para falar do eu ou das múltiplas identidades. O primeiro é multifrenia. Isso se refere às muitas vozes diferentes em nossa cultura que nos dizem quem somos e o que somos. O pós modernismo diz não há uma personalidade íntegra, mas multiplicidade de personalidades. Em definitivo, não podemos saber muito bem quem somos. O segundo termo é  proteano (vem do deus Proteo, um deus marinho conhecido por sua capacidade de metamorfose). O eu proteano é capaz de mudar constantemente para adequar-se às circunstancias atuais. “Pode incluir mudar de opiniões políticas e de comportamento sexual, mudar de idéias e da forma de expressá-las, mudar formas de organizar a própria vida”. Em terceiro lugar, Anderson fala do eu descentralizado e significa que não existe nenhum eu. O eu está sendo redefinido constantemente, e sofrendo mudanças. O quarto termo é o-eu-em-relação. Significa que não como ilhas enquanto a nós, mas em relação a pessoas e a certos contextos culturais. Para entender a nós mesmos, necessitamos entender os contextos de nossas vidas. Se juntarmos esses quatro termos, temos a imagem de uma pessoa que não tem nenhum centro, mas que está sendo jogada em muitas direções diferentes, e está constantemente mudando e sendo definida externamente pelas diferentes relações que tem com os outros. Antes de acreditava que a nossa meta devia ser alcançar a integridade. O pós modernismo diz: impossível. O desenvolvimento da assistência psiquiátrica, a proliferação de antidepressivos, o enorme consumo de sedativos e pílulas da felicidade é correspondente com essa patologia que o hiperindividualismo tem espalhado por nossa sociedade. O indivíduo atemorizado por desaparecer no “coletivo” e desesperado pela falta de comunidade. Lutando para evitar ser homogêneo e sofrendo, paralelamente, ao peso do culto ao eu. Nesse hiperindividualismo, o cliente é que determina tudo no mundo de hoje. [2]

Os executivos das produtoras de televisão, das editoras, das industria cinematográfica, assistem a cursos sobre estrutura narrativa, com o propósito único de satisfazer o gosto do público, e então, a partir do que aprendem, fazem as correções às obras que os roteiristas, escritores e compositores lhes entregam. Hoje as produções, não são de um autor, mas de equipes de trabalho que se propõe criar um produto que satisfaça ao gosto do povo. Os artistas de antes tentavam explorar novos mundos e provocavam estupefação ao comunicar ao público suas descobertas, porque iam além daquilo que era compreendido pela gente, viam o que os outros não viam, eram profetas, e por fim alardeavam não serem compreendidos. Mas os artistas de hoje, não pretendem trazer revelação do novo, pois sua tarefa é reelaborar o conhecido e aceito, e o grande esforço é comunicar o que fez.

Ser hoje um incompreendido não aumenta os ganhos dos autores, ao contrario isso termina com eles. Os artistas concentram seus sonhos em difundir-se massivamente, a ponto que quando faz algo que “pega”, se verá obrigado a repetir-se sem cessar. O artista procura ser aplaudido e não ser incompreendido, pretende ser um sucesso na mídia, incorporar-se a esse mundo de mídia. Os artistas não querem ser profetas nem passar para a história, o que querem é entrar no mundo.


[1] Publicidade de LÓréal: “Porque eu tenho valor”.
[2] No âmbito da arte, o grande artista era Deus. Depois  o artista não era Deus, mas reconhecia-se que o artista era tocado pela mão de Deus. Mas isso já passou. Hoje os grandes artistas se confundem com os homens de negócio, passaram de semideuses a profissionais, do celestial ao produtivo. Quanto mais dinheiro há em jogo mais participam os empresários e menos as genialidades dos músicos, escritores, roteiristas.
8.  O estilo deste mundo substitui a ética pela cosm-ética:

O capitalismo de ficção quer  mostrar uma imagem bondosa. Hoje se entregam etiquetas de boa conduta para as empresas que colaboram com o ambiente, não (super)exploram aos empregados e não manipulam a contabilidade. As universidades dão aulas de ética nos negócios. Na prática a maior parte das empresas não se comporta muito diferente das de trinta anos atrás, mas se submetem a um diagnóstico, para aparecer como limpas. [1] O mais importante não é cumprir as obrigações com as autoridades, constantemente subornadas, nem diante dos sindicatos, mas diante da opinião pública, com uma imagem de militância moral por meio do marketing com causa. No plano individual a relatividade ética tem se convertido em anomia (ausência de normas). Diante da sexualidade a pós modernidade tem subido os decibéis a mui altas cotas de promoção e consumo, doses fortes de erotismo e de vulgarização genital. Há toda uma apologia do hedonismo focalizado na sexualidade, tudo muito bem estudado, programado e oferecido com persistente vigor. O sexo tem se convertido em consumo de massas mediante a web-pornografia[2], a telefonia erótica, os classificados de encontros, os vídeos, as telenovelas; o consumo de sexo, não somente tem se intensificado, como tem ganho em precocidade. Podemos dizer que a pós modernidade vive a “toda sexualidade”, a toda “ressurreição da carne”. Com um efeito paradoxal: a exposição da intimidade na totalidade anula a intimidade e faz desaparecer o objeto. Porque uma vez que se explora exaustivamente todo o campo, uma vez que a pupila tenha chegado ao cúmulo do mais explícito, a visão se vela. A total visão do visível anula a excitação e o resultado é uma fartura onde agoniza o desejo pelo objeto. Paralelamente há uma crise da heterossexualidade. A homossexualidade não só é aceita, mas está perdendo significação, precisamente pelo êxito alcançado em permear a cultura, e então já não é mais chamativo. Dois sexos são poucos sexos, inclusive, três é uma quantidade exígua. O atual, de acordo com as últimas tendências, é ser queer (extravagante). Para esses não existe uma identidade sexual determinada, mas mil gradações do sexo. [3]

[1] Nike, Adidas, Reebock, que exploram crianças do Terceiro Mundo, tiveram que melhorar as condições de trabalho para limpar sua imagem. Com uma campanha em prol dos famintos, American Express trata de limpar sua imagem por suas excessivas comissões. Assim as produtoras de tabaco e outras empresas.
[2] Nos Estados Unidos, os clientes típicos são homens jovens e de meia idade, com um nível salarial entre médio e alto, porque segundo a Sociedade de Psicologia Americana, as duas atividades a que dedicam mais tempo os jovens traders e brokers (atividades das Bolsas) em volta de Wall Street são a caminhar e a masturbação.
[3] Originalmente la palabra queer se aplicaba na acpção de “maricas”, mas hoje os queer são outra coisa e muito mais. Os queer vêem aos gay como aburguesados, tão encaixados na normalidade e tão “classificados” para o sistema como os travestis, os transexuais, as drag-queens, e os drag-kings, os bisexuales ou as lésbicas que compõem um “catálogo fixo.” O queer seria, pelo contrário, o incatalogável, tanto no sexo como em outros campos da cultura. Assim há hombres feministas, lésbicas que se deitam com homens, e toda classe de subversão do código dualista.

Extraído do Artigo: Reino Igreja e Sociedade de Carlos Miranda.

No amor de Jesus,

Pedro Quintanilha ><>

15 Teses Sobre a Reencarnação da Igreja

500 anos depois do alemão Martinho Lutero ter lançado suas polêmicas 95 teses e ser usado como um dos catalizadores da Reforma Protestante, a Alemanha se tornou um país dominado pelo secularismo. Mas, ao que parece, o Espírito da Reforma continua vivo naquela nação. Depois de cinco séculos, Deus está usando um alemão novamente para ventilar ares frescos de Reforma na Igreja. No artigo a seguir, Wolfgang Simson lança suas “15 Teses para a Reencarnação da Igreja”, redefinindo de forma precisa a mudança de paradigmas que Deus está promovendo na Igreja contemporânea. Ecclesia semper reformanda est!

Deus transforma a igreja e isso, por sua vez, transformará o mundo. Milhões de cristãos em todo o mundo sentem que uma nova e surpreendente Reforma está se aproximando. Afirmam: “A igreja como a conhecemos impede uma igreja como Deus a quer”. É admirável o grande número de cristãos que parece perceber que Deus está tentando dizer-lhes a mesma coisa. Desse modo forma-se uma nova consciência coletiva para uma revelação existente há milênios, um eco espiritual coletivo.

Estou convicto de que as 15 teses a seguir reproduzem uma parcela daquilo que “o Espírito diz hoje às igrejas”. Para alguns isso será apenas uma pequena nuvem no horizonte de Elias. Outros já se encontram no meio da chuva.

1. Cristianismo como estilo de vida, não como sucessão de eventos religiosos

Bem antes de serem chamados de cristãos dava-se aos seguidores de Jesus Cristo o nome de “o Caminho”. Um dos motivos era que eles literalmente haviam encontrado o caminho de como se vive. O cerne da igreja cristã não é apropriadamente espelhado por uma série de eventos religiosos em recintos eclesiásticos reservados especialmente para encontros com Deus, oferecidos por clérigos profissionais. Pelo contrário, está em questão o estilo de vida profético dos seguidores de Jesus Cristo no dia-a-dia, que como famílias extensas espiritualmente ampliadas respondem a perguntas formuladas pela sociedade – justamente no local em que isso é mais decisivo: em casa.

2. Mudar o sistema das “Categogas”

Depois da época de Constantino Magno, no século IV, as Igrejas Ortodoxa e Católica desenvolveram e sancionaram um sistema religioso que consistia de um templo “cristão” (a catedral) e de um padrão básico de culto que imitava a sinagoga judaica. Dessa maneira, um sistema religioso não expressamente revelado por Deus, a “categoga”, uma mescla de catedral e sinagoga, tornou-se a matriz dos cultos de todas as épocas subseqüentes. Tingido como um acervo gentílico de pensamentos helenistas que, p.ex., faz separação entre o sagrado e o secular, o conceito das categogas recebeu uma função de “buraco negro”, que suga pela raiz praticamente todas as energias de transformação social da igreja e que por séculos deixou o cristianismo absorto em si próprio.

É verdade que Lutero reformou o conteúdo do evangelho, mas é notório que ele deixou as estruturas e formas exteriores da “igreja” intactas. As comunidades livres libertaram do Estado esse sistema eclesiástico, os batistas o batizaram, os quacres o drenaram, o Exército da Salvação o enfiou num uniforme, os pentecostais o ungiram e os carismáticos o renovaram, porém até hoje ninguém realmente o transformou. É precisamente essa hora que chegou agora.

3. A Terceira Reforma

Por ter redescoberto o evangelho da redenção “somente pela graça mediante a fé”, Lutero desencadeou uma Reforma – uma reforma da teologia. A partir do final do século XVII, movimentos de renovação como o Pietismo descobriram novamente o relacionamento pessoal do indivíduo com Deus. Isso levou a uma reforma da espiritualidade, a segunda Reforma. Agora Deus está avançando mais um passo, ao mexer com as formas básicas do ser igreja. Dessa forma ele desencadeia uma terceira Reforma, uma reforma das estruturas.

4. De casas que são igreja para Igreja nas Casas

Desde os tempos do Novo Testamento não existe mais algo como a “casa de Deus”. Deus não vive em templos erguidos por mãos humanas. É o povo de Deus que constitui a igreja. Por essa razão a igreja está em casa no exato lugar em que as pessoas estão em casa: nos lares. É ali que os seguidores de Cristo partilham a vida no poder do Espírito de Deus, tomam refeições em conjunto e muitas vezes nem mesmo hesitam vender propriedade particular, repartindo as bênçãos materiais e espirituais com outras pessoas. Instruem-se sobre como se inserir melhor, enquanto ser humanos, nas leis espirituais constitutivas de Deus em meio à vida prática – e justamente não por meio de palestras professorais, mas de modo dinâmico, no estilo de pergunta e resposta. É ali que oram, batizam e profetizam uns aos outros. É ali que podem deixar cair a máscara e até confessar pecados, porque conquistam uma nova identidade coletiva pelo fato de se amarem mutuamente, apesar de se conhecerem e constantemente tornarem a se perdoar e se aceitar.

5. Primeiro a Igreja tem que encolher antes de crescer

A maioria das igrejas cristãs simplesmente é grande demais para realmente proporcionar espaço para a comunhão. Foi assim que se tornaram “comunidades sem comunhão”. As comunidades eclesiais do Novo Testamento eram invariavelmente grupos pequenos, com cerca de 15 a 20 pessoas. O crescimento não acontecia pelo inchaço aditivo, formando comunidades eclesiásticas grandes, estacionárias e que lotavam catedrais com 20 a 300 pessoas, mas pelo crescimento multiplicativo da amplitude, apresentando características de um movimento. As igrejas nos lares se subdividiam quando tinham atingido o limite orgânico de cerca de 15 a 20 pessoas. Esse crescimento multiplicativo pela base possibilitou aos cristãos que também se congregassem para reuniões celebrativas que abrangiam a cidade toda, como, p.ex., nos salões do Templo em Jerusalém.

Em comparação com isso, a congregação cristã típica de hoje é um triste meio-termo: estatisticamente ela não é mais uma igreja no lar, mas tampouco já é um evento celebrativo. Dessa maneira, ela perde duas dinâmicas imaginadas pelo seu Inventor: a atmosfera dinâmica e relacional e o mega-evento eletrizante com efeito de sucção.

6. Do sistema de um pastor único para a estrutura de equipe

Igrejas nos lares não são conduzidas, p.ex., por um pastor, mas acompanhadas por um presbítero e por um dono de casa sábio e atento à realidade. As igrejas nos lares são interligadas em rede, formando movimentos, pela conexão orgânica dos presbíteros com o assim chamado ministério quíntuplo (apóstolos, profetas, pastores, evangelistas e mestres), que circula “de casa em casa” pelas igrejas, como um saudável sistema de circulação sangüínea. Nessa atividade as pessoas com dons apostólicos e proféticos (Ef 4.11,12; 2.20) desempenham um papel fundamental.
Sem dúvida os pastores são uma parte importante de toda a equipe, porém não podem ser mais que um fragmento dela, “para capacitar os santos para o serviço”. Seu ministério precisa ser complementado pelos outros quatro ministérios, do contrário as igrejas não apenas sofrem de enfermidades de carência espiritual, devido à dieta unilateral, mas igualmente os próprios pastores não conseguem mover nada, ficando impedidos de se realizar em sua vocação.

7. As peças certas – montadas erroneamente

Num quebra-cabeça é essencial que as peças sejam montadas de acordo com o modelo certo, do contrário não apenas fica incorreto o quadro inteiro, mas também as diversas peças não fazem sentido. No cristianismo temos todas as peças à disposição, mas por tradição, lógica de poder e zelo religioso quase sempre as montamos erroneamente. Assim como existe H2O nos três estados de agregação (gelo, água e vapor) também os dons de serviço (Ef 4.11,12), como, p.ex., o do pastor, ocorrem de três formas, porém muitas vezes na forma errada no lugar errado. Eles congelaram como pedras por meio do clericalismo eclesiástico, correm como água límpida ou ainda evaporam na falta de compromisso.
Assim como a melhor coisa é regar flores com água, também os cinco ministérios que fomentam a igreja (apóstolos, profetas, pastores, evangelistas e mestres) têm de reencontrar formas novas – e muito antigas – na igreja, para que o sistema todo comece a florescer e cada pessoa encontre um lugar apropriado no todo. Por isso a igreja não pode nem deve voltar atrás na História, porém precisa retornar à matriz original.

8. Das mãos dos burocratas eclesiásticos ao sacerdócio de todos os que crêem

As igrejas do Novo Testamento nunca foram dirigidas por um “homem santo” ou “senhor pastor”, que se encontra numa ligação especial com Deus em substituição a outros e que regularmente alimenta consumidores relativamente passivos na fé, como se fosse um Moisés do Novo Testamento. O cristianismo assumiu das religiões gentílicas – ou, na melhor das hipóteses, do judaísmo – a categoria dos sacerdotes como um espaço amortecedor de mediação entre Deus e o ser humano.

Desde os dias de Constantino Magno a rigorosa profissionalização da igreja já pesou tempo suficiente como maldição sobre a igreja, subdividindo artificialmente o povo de Deus em leigos infantilizados e clero profissional. Conforme o Novo Testamento, há “um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus” (1 Tm 2.5). Deus retém sua bênção quando profissionais da religião se imiscuem entre ele e o povo. O véu do Templo foi rasgado e Deus possibilita a todas as pessoas terem acesso a ele diretamente por meio de Jesus Cristo, o único Caminho e Advogado. Já não precisam manter contato com ele de forma mediada e indireta através do representante de uma casta religiosa. A fim de transportar para a prática o “sacerdócio de todos os que crêem”, que entrementes já foi impetrado há 500 anos pela primeira Reforma, o atual sistema de uma igreja profissionalizada e burocratizada terá de ser transformado radicalmente – ou afundará na irrelevância religiosa.

A burocracia é a mais diabólica de todas as formas de administração, porque no fundo levanta apenas duas perguntas: sim ou não. Nela dificilmente há espaço para a espontaneidade, a humanidade e a vida genuína cheia de variações. Essa forma estrutural pode ser adequada a empreendimentos políticos ou econômicos, porém não ao cristianismo. Deus parece estar em vias de libertar seu povo do cativeiro babilônico de burocratas eclesiásticos e de pessoas no exercício do poder religioso, bem como tornar a igreja novamente um bem comum. Faz isso ao colocá-la nas mãos de pessoas simples, chamadas por Deus para algo extraordinário e que, como nos dias de outrora, talvez ainda estejam cheirando a peixe, perfume ou revolução.

9. Das formas organizadas para as formas orgânicas de cristianismo

O “corpo de Cristo” é linguagem figurada para um ente profundamente orgânico e não para um mecanismo organizado. Localmente a igreja consiste de uma pluralidade de famílias espirituais extensas, que estão organicamente interligadas em uma rede. A maneira como cada igreja está ligada à outra constitui uma parte integrante da mensagem do todo. De um máximo de organização com um mínimo de organismo é preciso passar novamente para um mínimo de organização com um máximo de organismo. Até aqui o excesso de organização muitas vezes sufocou o organismo “corpo de Cristo” como uma camisa-de-força – por medo de que algo pudesse dar errado. Contudo, medo é o oposto da fé, não representando exatamente uma virtude cristã sobre a qual Deus desejasse edificar sua igreja. O medo visa controlar – a fé sabe confiar. Por isso, controlar pode ser bom, mas confiar é melhor.

O corpo de Cristo foi confiado por Deus às mãos fiéis de pessoas que possuem um dom carismático especial: são capazes de crer que Deus ainda mantém o controle da situação quando elas próprias já o perderam há tempo. Sem dúvida o ecumenismo político e as hierarquias denominacionais tiveram sua chance de mostrar resultados no passado, mas não obtiveram êxito. Hoje é necessário criar redes regionais e nacionais que se baseiam sobre a confiança, para que formas orgânicas de cristianismo possam ser novamente desenvolvidas.

10. Cristãos adoram a Deus, não a seus cultos

Visto de fora, o cristianismo se apresenta do seguinte modo para muitas pessoas: pessoas santas dirigem-se, numa hora santa, num dia santo, a um prédio sagrado, a fim de participar de um ritual sagrado, celebrado por um homem santo em vestimentas sagradas, em troca de uma oferta sagrada. Uma vez que essas promoções regulares, orientadas pelo desempenho e chamadas de “culto divino”, requerem muito talento organizativo e consideráveis recursos administrativos, os rituais formalistas e modelos de comportamento institucionalizados rapidamente se solidificaram em tradições religiosas.

Em termos estatísticos, o tradicional culto dominical de uma a duas horas de duração, com cifras do porte de 20 a 300 visitantes, é extremamente voraz em termos de recursos. Apesar disso, produz bem poucos frutos na forma de pessoas que estejam dispostas a mudar de vida como discípulos de Jesus. Em termos econômicos, o culto tradicional é uma estrutura que exige muitíssimo investimento, mas produz poucos resultados.

Na História, o desejo dos humanos de adorar “corretamente” a Deus levou aos constrangedores denominacionalismo, confessionalismo e nominalismo. É um enfoque que desconsidera que os cristãos são chamados a adorar “em Espírito e em verdade” – e não a repetir, em pequenas e grandes catedrais, hinos costumeiros. Essa mentalidade de programação, que se compraz em reiterar o proverbial “Amém” na igreja, ignora que toda a vida é pulsante, muda constantemente e é absolutamente informal.

Sendo o cristianismo “o caminho da vida”, ele é por natureza informal e espontâneo, e tão-somente o violentamos por meio dos rituais religiosos repetitivos. O cristianismo precisa afastar-se das impressionantes celebrações teatrais em recintos eclesiásticos e recomeçar a viver de modo impressionante a vida cotidiana. É isso que verdadeiramente serve a Deus.

11. Não levar mais o povo à Igreja, mas a Igreja ao povo

A igreja está se transformando de volta, saindo de uma estrutura do “vinde” para uma estrutura do “ide”. Uma das conseqüências é que não se tenta mais levar as pessoas à igreja, mas a igreja até as pessoas. A missão da igreja jamais alcançará seu alvo se meramente adicionar acréscimos à estrutura existente. Ela unicamente acontecerá em termos multiplicativos por meio da expansão das igrejas na forma de fermento, inclusive entre grupos da população que ainda não conhecem a Jesus Cristo.

12. A Santa Ceia é redescoberta como uma verdadeira refeição

A tradição eclesiástica conseguiu a façanha de “celebrar” a santa ceia em doses homeopáticas, com algumas gotas de vinho, uma bolacha insípida e um semblante triste. No entanto, segundo a fé cristã, a “ceia do Senhor” é uma refeição substancial com significado simbólico, não uma refeição simbólica com significado substancial. Deus está novamente afastando os cristãos das missas, de volta às mesas, de volta à refeição.

13. Das denominações para a Igreja da Cidade

Jesus deu vida a um movimento – mas o que apareceu foram empresas religiosas com redes globais, que comercializavam suas respectivas marcas do cristianismo, fazendo concorrência uma à outra. Por causa dessa subdivisão em nomes e marcas a maior parte do protestantismo perdeu sua voz no mundo e tornou-se politicamente irrelevante. Muitas igrejas estão mais preocupadas com especialidades tradicionais e discórdias religiosas dentro de seus muros do que com dar um testemunho perante o mundo em conjunto com outros cristãos.

Jesus jamais pediu aos seres humanos que se organizassem em denominações. Nos primeiros dias da igreja os cristãos tinham um dupla identidade: eram seguidores de Jesus Cristo, convertidos verticalmente a Deus. Em segundo lugar, congregavam com base na geografia, quando também se convertiam localmente uns aos outros, formando movimentos eclesiais. Não somente se ligavam em igrejas de vizinhança ou nos lares, nas quais partilhavam sua vida cotidiana, mas também expressavam sua nova identidade em Cristo – na medida em que as respectivas circunstâncias políticas o permitissem. Encontravam-se para cultos festivos de abrangência local ou regional. Neles celebravam sua unidade como movimento eclesial da região ou cidade e demonstravam um testemunho conjunto perante o mundo.

Deus está chamando o cristianismo de volta a essas dimensões. O retorno ao modelo bíblico da “igreja da cidade” – ou seja, uma nova credibilidade das igrejas nos lares dos bairros, aliada a cultos festivos de abrangência local ou regional, em que todos os cristãos de uma região se congregam regularmente – não apenas fomenta a identidade coletiva e credibilidade espiritual dos cristãos, mas também confere à igreja um peso político, e chamará a atenção que a mensagem cristã merece.

14. Uma mentalidade à prova de perseguição

Jesus, o cabeça de todos os cristãos, foi crucificado. Hoje seus seguidores estão tão ocupados com suas posições e seu papel respeitável na economia, política e sociedade, ou pior ainda, estão adaptados e quietos de forma tão pouco cristã, que quase não são mais notados.

Jesus diz: “Abençoados sois quando por minha causa as pessoas vos injuriarem e perseguirem” (Mt 5.11). O cristianismo bíblico é uma ameaça para o ateísmo e pecado gentílicos, para um mundo que foi dominado pela ganância, pelo materialismo, pela inveja e pela tendência de crer em absolutamente tudo, a menos que esteja na Bíblia. Isso levou à aceitação social de comportamentos na esfera da moral, do sexo, do dinheiro e do poder que somente podem ser explicados na dimensão demoníaca. Até o momento, o cristianismo atualmente conhecido não constitui um contraste para isso, mas em muitos países ele é simplesmente inócuo e gentil demais para que fosse digno de perseguição.

Quando, porém, os cristãos começarem a redescobrir os valores do Novo Testamento, a viver uma vida resultante e perder a vergonha de dar nome, p.ex., ao pecado, o mundo em seu redor será atingido no cerne de sua consciência e reagirá, como de costume, com conversão ou com perseguição. Ao invés de construir para si ninhos em zonas confortáveis de presumida liberdade religiosa, os cristãos precisam preparar-se novamente para serem descobertos como réus principais e ovelhas negras. Nada mais farão que ser um estorvo para o humanismo universal, para a moderna escravidão do entretenimento e para a descarada adoração do Eu, o falso centro do universo. É por essa razão que cristãos despertos rapidamente sentirão as conseqüências do liberalismo fundamentalista e da “tolerância repressiva” de um mundo que perdeu suas normas absolutas porque se negou a reconhecer seu Deus Criador com seus padrões absolutos.

Em conexão com a crescente ideologização, privatização e espiritualização da política e economia, os cristãos obterão mais cedo do que esperavam uma nova chance para ocupar, ao lado de Jesus, o banco dos réus da sociedade do bem-estar. É bom que hoje mesmo já se preparem para o futuro, desenvolvendo uma mentalidade à prova de perseguições e, em conseqüência, construam uma estrutura à prova de perseguições.

15. A Igreja volta para casa

Qual é o lugar mais simples para uma pessoa ser santa? Ela se esconde atrás de um grande púlpito e, trajada com túnicas sagradas, prega palavras santas a uma massa sem rosto, desaparecendo depois em seu gabinete. E qual é o lugar mais difícil e, por isso mais significativo, para uma pessoa ser santa? Em casa, na presença de sua família, onde tudo o que ela diz e faz é submetido a um teste espiritual automático e conferido com a realidade. Ali todo o farisaísmo devoto está irremediavelmente condenado à morte.

As parcelas mais significativas do cristianismo fugiram do enraizamento na família, como lugar flagrante do fracasso pessoal, para salões sagrados, onde se celebram missas/cultos artificiais bem afastados do cotidiano. No entanto Deus está em vias de reconquistar novamente para si as casas como locais de culto. Dessa forma a igreja retorna novamente às próprias raízes, ao lugar de onde ela procede, a um movimento de igrejas nos lares. Assim, a igreja volta literalmente para casa. Na última fase da história da humanidade, pouco antes do retorno de Jesus Cristo, fecha-se o círculo da história da igreja.

Quando cristãos de todos os segmentos sociais e culturais, de todas as situações de vida e denominações sentirem em seu espírito um eco nítido daquilo que o Espírito de Deus diz à igreja, eles começarão a funcionar claramente como um corpo, a ouvir globalmente e agir localmente. Deixarão de pedir que Deus abençoe o que fazem e começarão a fazer o que Deus abençoa. Na própria vizinhança se congregarão em igrejas nos lares e se encontrarão para cultos festivos que abrangem a cidade ou região toda.

Você também está convidado a aderir a esse movimento aberto e dar a sua própria contribuição. Dessa maneira provavelmente também a sua casa há de ser uma casa que transforma o mundo.

Extraído do livro “Casas que Transformam o Mundo”, Editora Evangélica Esperança; via Pão e Vinho.

No amor de Jesus,

Pedro Quintanilha ><>

A Doutrina de Cristo

Muito me preocupa o fato de  focarmos em tantas coisas e muitas vezes nem nos dar conta de quais são os ensinos onde estão os fundamentos da nossa fé. Por isso gostaria de hoje postar sem muitos comentários ou opiniões a pura e simples, profunda e prática doutrina de nosso mestre e Senhor Yeshua (Jesus) o Cristo de Deus. Seguem abaixo as transcrições literais dos Capítulos 5,6,7 e verso 1 do cap 8 do evangelho de Mateus e o Capítulo 6 apartir do verso 20 do evangelho de Lucas versão NVI.

Mateus relata:

Vendo as multidões, Jesus subiu ao monte e se assentou. Seus discípulos aproximaram-se dele, e ele começou a ensiná-los, dizendo:

“Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus.

Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados.

Bem-aventurados os humildes, pois eles receberão a terra por herança.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos.

Bem-aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia.

Bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus.

Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus.

Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus.

“Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês.Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês.”

“Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens.

“Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Pelo contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus”.

“Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir.Digo-lhes a verdade: Enquanto existirem céus e terra, de forma alguma desaparecerá da Lei a menor letra ou o menor traço, até que tudo se cumpra.Todo aquele que desobedecer a um desses mandamentos, ainda que dos menores, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será chamado menor no Reino dos céus; mas todo aquele que praticar e ensinar estes mandamentos será chamado grande no Reino dos céus. Pois eu lhes digo que se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus”.

“Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não matarás’, e ‘quem matar estará sujeito a julgamento’.Mas eu lhes digo que qualquer que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento. Também, qualquer que disser a seu irmão: ‘Racá’, será levado ao tribunal. E qualquer que disser: ‘Louco! ’, corre o risco de ir para o fogo do inferno.

“Portanto, se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta.

“Entre em acordo depressa com seu adversário que pretende levá-lo ao tribunal. Faça isso enquanto ainda estiver com ele a caminho, pois, caso contrário, ele poderá entregá-lo ao juiz, e o juiz ao guarda, e você poderá ser jogado na prisão.Eu lhe garanto que você não sairá de lá enquanto não pagar o último centavo”.

“Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não adulterarás’.Mas eu lhes digo: qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração.

Se o seu olho direito o fizer pecar, arranque-o e lance-o fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ser todo ele lançado no inferno.E se a sua mão direita o fizer pecar, corte-a e lance-a fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ir todo ele para o inferno”.

“Foi dito: ‘Aquele que se divorciar de sua mulher deverá dar-lhe certidão de divórcio’.Mas eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, faz que ela se torne adúltera, e quem se casar com a mulher divorciada estará cometendo adultério”.

“Vocês também ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não jure falsamente, mas cumpra os juramentos que você fez diante do Senhor’. Mas eu lhes digo: Não jurem de forma alguma: nem pelo céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o estrado de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei. E não jure pela sua cabeça, pois você não pode tornar branco ou preto nem um fio de cabelo.

Seja o seu ‘sim’, ‘sim’, e o seu ‘não’, ‘não’; o que passar disso vem do Maligno”.

“Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’.Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa. Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas.Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado”.

“Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’.Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos. Se vocês amarem aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os publicanos fazem isso! E se vocês saudarem apenas os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais? Até os pagãos fazem isso! Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês”.

 “Tenham o cuidado de não praticar suas ‘obras de justiça’ diante dos outros para serem vistos por eles. Se fizerem isso, vocês não terão nenhuma recompensa do Pai celestial.

“Portanto, quando você der esmola, não anuncie isso com trombetas, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem honrados pelos outros. Eu lhes garanto que eles já receberam sua plena recompensa. Mas quando você der esmola, que a sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita, de forma que você preste a sua ajuda em segredo. E seu Pai, que vê o que é feito em segredo, o recompensará”.

“E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa. Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará. E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não sejam iguais a eles, porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem.

Vocês, orem assim:

‘Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome.

Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.

Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia.

Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores.

E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal, porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém’.

Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará. Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas”.

“Quando jejuarem, não mostrem uma aparência triste como os hipócritas, pois eles mudam a aparência do rosto a fim de que os homens vejam que eles estão jejuando. Eu lhes digo verdadeiramente que eles já receberam sua plena recompensa. Ao jejuar, ponha óleo sobre a cabeça e lave o rosto, para que não pareça aos outros que você está jejuando, mas apenas a seu Pai, que vê no secreto. E seu Pai, que vê no secreto, o recompensará”.

“Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.

“Os olhos são a candeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas. Portanto, se a luz que está dentro de você são trevas, que tremendas trevas são!

“Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro”.

“Portanto eu lhes digo: não se preocupem com suas próprias vidas, quanto ao que comer ou beber; nem com seus próprios corpos, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante do que a comida, e o corpo mais importante do que a roupa? Observem as aves do céu: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas? Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida?”Por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem os lírios do campo. Eles não trabalham nem tecem.Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, não vestirá muito mais a vocês, homens de pequena fé? Portanto, não se preocupem, dizendo: ‘Que vamos comer? ’ ou ‘que vamos beber? ’ ou ‘que vamos vestir? ’ Pois os pagãos é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai celestial sabe que vocês precisam delas.

Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas.

Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal”.

“Não julguem, para que vocês não sejam julgados.Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês. “Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão.

“Não dêem o que é sagrado aos cães, nem atirem suas pérolas aos porcos; caso contrário, estes as pisarão e, aqueles, voltando-se contra vocês, os despedaçarão”.

“Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta.Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta. “Qual de vocês, se seu filho pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir peixe, lhe dará uma cobra? Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem! Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas”.

“Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela.Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram”.

“Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores.Vocês os reconhecerão por seus frutos. Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas? Semelhantemente, toda árvore boa dá frutos bons, mas a árvore ruim dá frutos ruins. A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons. Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo.

Assim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão!

“Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres? ’Então eu lhes direi claramente: ‘Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal! ’ ”

“Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha.Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha.

Mas quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia.Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande a sua queda”.

Quando Jesus acabou de dizer essas coisas, as multidões estavam maravilhadas com o seu ensino, porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os mestres da lei.

Quando ele desceu do monte, grandes multidões o seguiram.

Lucas relata:

Então, levantando ele os olhos para os seus discípulos, dizia: Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus.

Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis fartos. Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir.

Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, e quando vos expulsarem da sua companhia, e vos injuriarem, e rejeitarem o vosso nome como indigno, por causa do Filho do homem. Regozijai-vos nesse dia e exultai, porque eis que é grande o vosso galardão no céu; pois assim faziam os seus pais aos profetas.

Mas ai de vós que sois ricos! porque já recebestes a vossa consolação.

Ai de vós, os que agora estais fartos! porque tereis fome. Ai de vós, os que agora rides! porque vos lamentareis e chorareis.

Ai de vós, quando todos os homens vos louvarem! porque assim faziam os seus pais aos falsos profetas.

Mas a vós que ouvis, digo: Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam,

bendizei aos que vos maldizem, e orai pelos que vos caluniam.

Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te houver tirado a capa, não lhe negues também a túnica.

Dá a todo o que te pedir; e ao que tomar o que é teu, não lho reclames.

Assim como quereis que os homens vos façam, do mesmo modo lhes fazei vós também.

Se amardes aos que vos amam, que mérito há nisso? Pois também os pecadores amam aos que os amam. E se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que mérito há nisso? Também os pecadores fazem o mesmo.

E se emprestardes àqueles de quem esperais receber, que mérito há nisso? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para receberem outro tanto.

Amai, porém a vossos inimigos, fazei bem e emprestai, nunca desanimado; e grande será a vossa recompensa, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os integrantes e maus.

Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso.

Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados.

Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando vos deitarão no regaço; porque com a mesma medida com que medis, vos medirão a vós.

E propôs-lhes também uma parábola: Pode porventura um cego guiar outro cego? não cairão ambos no barranco?

Não é o discípulo mais do que o seu mestre; mas todo o que for bem instruído será como o seu mestre. Por que vês o argueiro no olho de teu irmão, e não reparas na trave que está no teu próprio olho? Ou como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro que está no teu olho, não vendo tu mesmo a trave que está no teu? Hipócrita! tira primeiro a trave do teu olho; e então verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão.

Porque não há árvore boa que dê mau fruto nem tampouco árvore má que dê bom fruto.

Porque cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto; pois dos espinheiros não se colhem figos, nem dos abrolhos se vindimam uvas.

O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem; e o homem mau, do seu mau tesouro tira o mal; pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca.

E por que me chamais: Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu vos digo?

Todo aquele que vem a mim, e ouve as minhas palavras, e as pratica, eu vos mostrarei a quem é semelhante:

É semelhante ao homem que, edificando uma casa, cavou, abriu profunda vala, e pôs os alicerces sobre a rocha; e vindo a enchente, bateu com ímpeto a torrente naquela casa, e não a pôde abalar, porque tinha sido bem edificada.

Mas o que ouve e não pratica é semelhante a um homem que edificou uma casa sobre terra, sem alicerces, na qual bateu com ímpeto a torrente, e logo caiu; e foi grande a ruína daquela casa.

Sem comentários.

Pedro Quintanilha ><>

Resgatando a Cosmovisão Bíblica

O que é cosmovisão?

Cosmovisão nada mais é do que a nossa visão de mundo, a visão que temos do todo. É muito importante termos uma cosmovisão bíblica, pois a forma com que vemos o mundo e cremos moldará nossas atitudes, se tivermos uma cosmovisão fraca seremos fracos, se tivermos uma cosmovisão mentirosa viveremos uma mentira. Muitas vezes não paramos para refletir sobre o que cremos ou se as nossas crenças estão de acordo com a Bíblia, isso é um grande problema pois a falta de reflexão e questionamento pessoal fazem com que sejamos levados com a maré e sem percebermos nos tornamos um subproduto do sistema de crenças vigente no mundo. Acabamos  moldados pelo nosso meio e  mesmo sem saber o porque passamos a crer e viver segundo a visão de nossos relacionamentos.

Vivemos uma contradição atrás da outra, isso se intensifica quando somos confrontados com outras cosmovisões e por falta de entendimento não sabemos como responder então entramos em crise.  Precisamos saber que existem verdades absolutas e mandamentos que se abraçarmos e seguirmos experimentaremos a transformação de nossas vidas, cidades e nações.

“Quando uma quantidade razoável de pessoas tem a Bíblia e aplicam aquilo que ela ensina em suas vidas, a nação começa a ser transformada” – Loren Cunninghan

Perdemos nossa cosmovisão bíblica ¹

Jesus ensinava que a única maneira de se entrar no Reino de Deus era por intermédio d’Ele, mas, sempre colocava a salvação dentro do contexto da mensagem completa do Reino de Deus. Devemos saber como é que Deus quer que vivamos.

As verdades do evangelho do Reino existem para transformar enquanto nos ensinam sobre como viver em cada área de nossas vidas. Então, nossas vidas são transformadas para serem sal e luz para nossas famílias, vizinhos, comunidades e finalmente, nossas nações, fazendo delas lugares melhores para se viver. Não comunidades perfeitas, porém comunidades melhores, porque a influência do bem pode ser maior que a influência do mal. Existem grandes exemplos na História. A transformação de vidas foi tão enfatizada na história da Igreja que se fala que nunca existiu um avivalista usado por Deus que acreditasse que Seus propósitos se cumpriam com o avivamento. Todos acreditavam que o avivamento verdadeiro culminava na transformação significativa das comunidades, por meio da influência da Igreja avivada em toda a Sociedade.

Estudos sociológicos comprovam que é necessário somente 20% de uma sociedade com o mesmo ideal para que possa influenciar e até liderar os outros 80% numa determinada direção. Alguns dizem que, hoje, existe um número de cristãos no mundo maior que o total de cristãos que já existiu na História. Não temos exercido a influencia que deveríamos, pois perdemos a nossa cosmovisão bíblica.

Pensamento cristão dividido ²

Através dos dois últimos séculos, os cristãos, especialmente os evangélicos, têm desenvolvido uma visão dividida do mundo. Esse processo foi acontecendo em tempos, regiões e denominações diferentes, mas, podemos dizer que, atualmente, esse pensamento dicotômico domina a maior parte do Cristianismo.

Essa dicotomia se desenvolveu da seguinte forma: uma parte da Igreja era da opinião de que a salvação era por conta de Deus, portanto, a responsabilidade da Igreja era cuidar das necessidades básicas do homem como alimento, vestuário, abrigo, Saúde e, talvez até, Educação. Outra parte da Igreja reagiu com um forte “Não!”. Sua opinião era a de que somente a alma do homem e a vida eterna tinham valor, portanto, o objetivo desse grupo se concentrava na salvação do homem. Eles se diziam preocupados com os assuntos espirituais, enquanto os do grupo anterior se preocupavam apenas com os materiais. Aqueles que achavam que a função principal da Igreja era somente a salvação dos homens se tornaram conhecidos como evangélicos e começaram a se referir aos membros do outro grupo como liberais. Os evangélicos estavam preocupados com os assuntos eternos e espirituais. Os liberais estavam mais preocupados com assuntos mundanos do dia a dia.

Os evangélicos pregavam a mensagem espiritual da salvação e se concentravam nos assuntos sagrados. Já os liberais, na opinião dos evangélicos, pregavam o evangelho social e estavam mais preocupados com os assuntos seculares. Essa cosmovisão aumentou com a ênfase crescente na volta imediata de Jesus e o conceito de que tudo que era secular iria para o inferno.

Essa é uma maneira bastante simples de se analisar temas doutrinários consideravelmente bem mais complexos. O que estou querendo ressaltar aqui é, simplesmente, que, uma visão dividida do mundo invadiu a Igreja e transformou a “salvação de almas” na principal mensagem do evangelho que pregamos hoje. Os cristãos, em sua maioria, tornaram-se mais preocupados com os assuntos “espirituais” da fé: salvação, oração, batalha espiritual, curas e céu. Começamos a crer que só tínhamos tempo suficiente para conseguir salvar as almas e mais nada.

O EVANGELHO DIVIDIDO

ESPIRITUAL

MATERIAL

SALVAÇÃO

SOCIAL

ETERNO

TEMPORÁRIO

CELESTIAL

TERRENO

EVANGÉLICO

LIBERAL

SAGRADO

SECULAR

A tragédia nessa divisão, como acontece na maioria dos casos, é que ambos os lados estavam certos e ambos os lados estavam errados. Os evangélicos estavam certos com relação ao que o Evangelho era, e errados nos que eles pensavam que o Evangelho não era. O Evangelho que Jesus ensinava, fundamentado nos ensinamentos completos de Deus a Israel, por intermédio de Moisés e dos profetas, era uma mensagem que lidava com pecado e salvação, céu e inferno, oração e batalha espiritual. Os liberais por sua vez, estavam corretos ao dizer que também era uma mensagem sobre o desejo de Deus por um Governo justo, por distribuição da renda justa, pelo uso apropriado da Ciência e da Tecnologia, da Comunicação, Artes, Família e todas as outras áreas da vida.

O resultado de um evangelho dividido e reduzido é fácil de ver no mundo em que vivemos atualmente. Nunca houve antes na História tantos cristãos, em tantas igrejas, em tantas nações, falando tantos idiomas. Mas, creio que também é justo dizer que nunca a expansão da Igreja teve tão pouco impacto em suas comunidades como nos dias de hoje. A Igreja evangélica atual é uma igreja enorme, porém fraca, pois, perdemos a maior parte da mensagem do Reino. Podemos dizer que os assuntos sociais, econômicos e jurídicos de nossas comunidades não são problemas nossos porque temos uma visão dicotômica do mundo. Somos “líderes espirituais” e não nos preocupamos com problemas seculares. Porém, não precisamos parar de pregar a mensagem da salvação individual, mas sim, precisamos desesperadamente recuperar as verdades essenciais contidas no restante da mensagem do Reino de Deus. Temos de renovar a nossa mente e ver as nossas vidas transformadas, alinhando todos os nossos pensamentos com os pensamentos de Jesus Cristo. Só assim, a Igreja do século XXI vai conseguir mudar o mundo e, só então, o Corpo de Cristo será, não apenas grande e diversificado, mas também, reconquistará a sua capacidade de influenciar.

Quatro cosmovisões ³

Como já vimos nossa cosmovisão determinará se conseguiremos cumprir ou não a missão que Deus designou para nós, falaremos sobre nossa missão no próximo tópico, agora vamos analisar as quatro cosmovisões predominantes nos dias de hoje e a partir disso identificar qual cosmovisão temos seguido e refletir se devemos mudar ou não nossa cosmovisão.

1. Cosmovisão Espiritualista – É nela que a vida é nitidamente dividida entre alma/espírito e corpo. O “eu” essencial é a alma, para que eu simplesmente viva em meu corpo. De acordo com essa cosmovisão, o mundo real é o reino espiritual. Coisas acontecem aqui por causa do mundo espiritual e acredita-se que a harmonia precisa ser restaurada. A salvação, nessa cosmovisão, torna-se uma fuga deste mundo, muitas vezes a dissolução da pessoa na realidade espiritual maior de “Deus”. Esta é uma cosmovisão de mundo do Oriente, embora esteja agora mais em evidência no Ocidente por meio de movimentos do tipo Nova Era. O oposto desse ponto de vista é:

2. Cosmovisão Materialista – Nessa cosmovisão, não há vida após a morte e não há reino espiritual. O mundo espiritual é simplesmente uma ilusão. Essa cosmovisão tem sido forte no Ocidente, resultando na crença de que há simplesmente causa (física) e efeito.

Ao colocarmos essas duas cosmovisões lado a lado (figura 1), podemos ilustrar como alguém afirma que o reino espiritual é real e nega a realidade do reino material (a cosmovisão de mundo espiritualista), enquanto a cosmovisão de mundo materialista faz exatamente o contrário.

Figura 1

3. A cosmovisão teológica (evangélica) – Ao utilizar este termo, não queremos sugerir que todos os teólogos e evangélicos adotam este ponto de vista mas está é uma tendência que vem dominando o pensamento da maioria dos cristãos. Inevitavelmente, aqueles que o defendem normalmente são ocidentais e sem uma grande experiência com demônios. Isso afirma que as esferas do espiritual e do material continuam muito distintas uma da outra (figura 2). Passamos de uma para a outra na morte, mas não há uma relação ou interação significativa entre ambas. Embora existam anjos e demônios, eles normalmente não invadem este mundo, uma vez que pertencem ao “outro” mundo. Portanto, em termos práticos, essa cosmovisão pode levar mais à abordagem de espiritualidade (visão de mundo espiritualista) do Oriente, em que o nosso foco está na “salvação de almas”, embora se pareça com a do Ocidente no sentido de não estar concentrada no reino espiritual e celestial no aqui e agora. Com essa cosmovisão (diferente da Bíblia), o céu só se torna um lugar para onde vamos ao tempo determinado e não uma dimensão que pode invadir o espaço e o tempo presente.

Figura 2

4. Cosmovisão Bíblica – Neste ponto de vista, todas as coisas terrenas têm um correspondente celestial. Eventos ocorrem simultaneamente no céu e na terra. Por exemplo, quando ocorre uma guerra na terra, há guerra no céu. O que acontece na terra afeta o que acontece no céu, e vice-versa. Vemos o reflexo dessa visão de mundo em passagens como Apocalipse 12, onde lemos sobre uma batalha no céu no nível angelical, mas que o sucesso desta batalha está atrelado ao fato de que “…eles[os santos na terra] o venceram…”. Também vemos esse ponto de vista na narrativa sobre as mãos de Moisés se erguendo em oração. Enquanto ele prevalece no reino espiritual, Josué prevalece no reino terreno. Podemos ilustrar esse ponto de vista com a figura 3. Em tudo isso, é importante perceber que nossa visão de mundo afetará nossa abordagem quanto à guerra espiritual e quanto à vida. Precisamos deixar que a cosmovisão bíblica seja a base de nosso entendimento.

Figura 3

Se nossa cosmovisão for simplesmente espiritualista, então, enfatizaremos somente a questão dos demônios. Se for uma cosmovisão não orientada para a criação (refletida por exemplo, em uma abordagem do tipo: “Não somos seres humanos que temos uma breve experiência espiritual, mas seres espirituais que têm uma breve experiência humana)”, então nosso foco estará nas “questões reais” de guerra celestial, que infelizmente, significará envolvimento não-terreno.

Se nossa cosmovisão for mais orientada para o materialismo, não esperaremos grandes mudanças por meio da oração. Aceitaremos que é assim que as coisas funcionam: coisas ruins acontecem. Entretanto, podemos envolver-nos com as instituições e lugares que são responsáveis pela justiça.

No mundo ocidental, normalmente aceita-se ou a abordagem teológica, com demônios no “ar”, mas com esses poderes separados da vida física e política, ou uma variação  da visão de mundo materialista em que não existem demônios (certamente em nenhum sentido prático da palavra). No mundo carismático, muitas vezes deixamos de atentar para a ligação destes poderes com a terra; assim, há uma tendência de distinguir poderes espirituais e procurar discuti-los sem qualquer análise racional ou compreensão de como eles chegaram ali ou estabeleceram uma base.

A relação do céu (e das regiões celestiais) com a terra aparece através de toda a Bíblia. Na realidade, o principal contraste e principal comparação não estão entre o céu e o inferno, mas entre céu e terra. Infelizmente, tem-se mudado o foca das realidades que se referem a trazer o céu para a terra agora e da realidade final de um novo céu e uma nova terra, para o que acontece na morte e pra a uma ênfase correspondente em uma existência espiritual além-túmulo.

Crer no céu e na interação entre céu e terra significa que nosso papel principal é trazer a ordem do céu para a terra: de acordo com a Oração do Senhor (Mt 6.10). Nosso alvo é ver Satanás cair do céu enquanto participamos do ministério de Jesus (Lc 10.18 e Ap 12.7-12). Essa interação entre céu e terra pode ser vista claramente na carta aos Efésios, que diz que nossa batalha é “…nas regiões celestiais”(6.12) e que nós (que estamos na terra e na igreja) estamos assentados com Cristo nos lugares celestiais agora (2.6).

Portanto, o céu não é tanto um lugar para onde se deve ir ou um lugar relacionado a uma experiência futura após a morte; é mais uma descrição de uma posição ou dimensão de poder, autoridade e realidade que afeta os assuntos da humanidade na terra. É o lugar ou dimensão onde a vontade de Deus está sendo feita em toda a sua plenitude, sem a presença do mal. É para que este propósito seja manifestado na terra que estamos orando. Assim, em Lucas 10.18, quando Jesus afirma que viu Satanás caindo do céu como um raio enquanto os discípulos ministravam e expulsavam demônios, Ele desejava que eles entendessem que a razão de terem tido êxito se deveu ao fato de seus nomes estarem escritos no céu. Seus nomes (identidades) estavam no alto e esta era a razão por que sua batalha espiritual na terra fora bem-sucedida.

É vital termos esta compreensão da relação que existe entre céu e terra para que possamos cumprir com a missão que o Senhor designou para nós, este é assunto para nosso próximo tópico.


Cumprindo a missão

Agora que redescobrimos a cosmovisão bíblica temos a capacidade de compreender e trabalhar para o cumprimento da missão que o Senhor nos deixou e cooperar com o propósito  eterno de Deus.

Jesus deixou algumas instruções para seus discípulos no que diz respeito a missão que temos como povo de Deus:

“Então, Jesus aproximou-se deles e disse: Foi-me dada toda a autoridade nos Céus e na Terra. Portanto,vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos.” Mt 28: 18-20

“E disse-lhes: Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as pessoas.” Mc 16: 15

“Então lhes abriu o entendimento, para que pudessem compreender as Escrituras. E lhes disse: Está escrito que o Cristo haveria de sofrer e ressuscitar dos mortos no terceiro dia, e que em seu nome seria pregado o arrependimento para perdão de pecados a todas as nações, começando por Jerusalém.” Lc 24: 45-47

Podemos resumir a missão que Jesus deixou nestes versículos em dois simples mandamentos que são: “alcançar cada criatura e discipular nações.” Isso fala de duas implicações da missão alcançar e ensinar.

O propósito de Deus sempre foi o mesmo desde a Eternidade, vemos o isso desde Adão, passando por Abraão e segue em Jesus, o propósito nunca mudou.

Para Adão:

“Deus os abençoou, e lhes disse: “Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem sobre a terra”. Gn 1:28

Para Abraão:

“Esteja certo de que  o abençoarei e farei seus descendentes tão numerosos como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar. Sua descendência conquistará as cidades dos que lhe forem inimigos e, por meio dela, todos os povos da terra serão abençoados, porque você me obedeceu”. Gn 22.17-18

Paulo conhecia este propósito eterno e o deixou claro nos seus escritos:

Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.” Rm 8:29

“Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade, para o louvor da sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado.” Ef 1:5-6

Podemos conceituar o propósito eterno de Deus como: Uma família de muitos filhos semelhantes a Jesus para glória de Deus o Pai.

Vemos a manifestação do Reino de Deus por meio de três tipos de comunidades poderíamos chamar estas comunidades de comunidades proféticas, pois são comunidades que tem o objetivo de expressar Deus e seu Reino sobre a Terra.

A primeira comunidade que conduziu o Reino na Terra foi composta por Adão e Eva, o Jardim do Éden é o que podemos chamar de semente do Reino. Deus colocou naquele Jardim um homem e uma mulher que possuíam plena comunhão com ele e autoridade sobre toda a Terra, Deus demonstra seu amor por eles lhes dando liberdade e limites. Assim estabelece o princípio de avanço do Reino a obediência que pra nós só ficará mais claro quando enxergarmos a vida de Jesus e os escritos de Paulo, pois Adão desobedeceu não proporcionando avanço para o Reino e alem disso inaugurando sem querer um Império.

Na queda foi perdida a comunhão com Deus e a autoridade que a humanidade tinha sobre toda a Terra.  Essa autoridade foi perdida, pois a humanidade em concordância deu a Satanás quando desobedeceu a ordem de Deus. Com isso começa-se o desenvolvimento do Império das Trevas que avança por meio da desobediência e busca exercer controle através da manipulação.

A segunda comunidade profética é iniciada em Abraão por meio da promessa de um filho, seguida por Isaque o filho da promessa, cresce com Jacó que se torna Israel e constitui doze tribos cada uma liderada por um de seus filhos, por meio de José o povo se estabelece no Egito, se tornam escravos. Deus liberta o povo através de Moisés que lidera o povo, Deus dá os dez mandamentos e instruções para construção do tabernáculo (um lugar físico que comunicava uma realidade espiritual), instituição de festas, instruções sobre como tratar a terra, como relacionar-se, como educar as crianças, dá instruções de saneamento, de alimentação e etc. Deus através de Moisés segue transformando-os em nação por meio de princípios de Educação, Família, Comunicação, Economia, Artes, Governo e Religião no caminho do deserto seguem em direção a terra prometida. A entrada na terra acontece com Josué que em parceria com Deus conquista a terra em quase sua totalidade e estabelece a recente nação de Israel. Neste ponto a segunda comunidade profética entra em um período de decadência então Deus levanta de tempos em tempos Juízes para julgar a terra. Samuel foi o último juiz, com ele se inicia a companhia de profetas e também é usado por Deus para ungir um rei para Israel Saul e logo depois Davi. Davi o homem segundo o coração de Deus recebe a promessa de que seu trono permaneceria para sempre, traz de volta a arca que foi tomada no período anterior a Samuel. Ele entende o propósito de Deus e estabelece um tabernáculo, que na verdade era uma tenda, onde Deus era louvado vinte e quatro horas por dia sete dias por semana tornando conhecido reverenciado na Terra, nasce nele o desejo de fazer uma casa para Deus, o templo, que foi construído por seu filho Salomão o grande sábio e o homem mais rico que já existiu na Terra. Com Salomão o reino de Israel atinge o seu ponto mais alto o templo é construído e aprovado por Deus com sua manifestação sobrenatural. Logo após Salomão o reino se divide reino do norte e reino do sul no norte ficam as dez tribos e no sul ficam as tribos de Judá e Benjamim é mais um período de decadência com Deus levantando sacerdotes, profetas, reis e outros homens tendo em vista a restauração. Depois de anos de exílio, volta para terra, restauração do templo. Temos um espaço de mais ou menos 400 anos até o inicio da terceira comunidade profética.

A terceira comunidade profética é a Igreja, se inicia efetivamente após a vitória de Cristo sobre Satanás. Jesus por meio da obediência muda a condição e a posição da humanidade através de Sua obra. Ele que é chamado de segundo Adão nasce nas mesmas condições de Adão sem pecado, mas diferente do primeiro Adão que cedeu a tentação praticando a desobediência Jesus permaneceu firme e obedeceu até o fim, quebrando o sistema das trevas resgatando assim legalmente a autoridade que a humanidade havia perdido.

Anunciado por seu primo João o Batista que veio no mesmo espírito de Elias preparando o caminho para o Messias por meio da pregação de arrependimento, durante batismo com João o Espírito Santo vem sobre ele em forma corpórea (pomba) e o Pai afirma sua identidade “Este é meu filho amado em quem me comprazo.” Conduzido ao deserto pelo Espírito Santo para ser tentado pelo diabo, resiste às três tentações do diabo e sai do deserto, depois de quarenta dias de jejum, no poder do Espírito. A partir daí Jesus manifesta a realidade do Reino de Deus e demonstra por meio do seu comportamento, ensino, pregação, auxílio aos necessitados, curas, sinais e maravilhas o que é o Reino e como ele se movimenta. Caminha por três anos com doze discípulos e os posiciona como os primeiros apóstolos (enviados, embaixadores) deste Reino. Multidões o seguiam até as mulheres (desprezadas na época) o seguiram, participavam de seus ensinos e algumas auxiliavam seu ministério. Foi o homem mais humilde, mais manso, sincero, amoroso, compassivo e justo que existiu sobre a Terra o homem perfeito em tudo.

Foi obediente até a morte e morte de cruz, ressuscitou ao terceiro dia recuperando toda autoridade deu aos seus discípulos e os fez filhos de Deus.

A partir disso capacitou os seus discípulos a cumprirem o propósito eterno de Deus através do Espírito. Por meio da sua obra ele levantou um novo povo, os nascidos de novo, vivendo em uma nova realidade, influenciando por meio da obediência são guiados pelo Espírito. A Igreja a terceira comunidade profética a família de Deus que vive na terra aprendendo a ser como Jesus manifestando o Reino, transformando lugares, praticando a justiça, vivendo em amor e unidade, caminhando em fé e esperança proclamando a sua volta para desfrutar plenamente deste Reino de paz, justiça e alegria no Espírito Santo.

Precisamos resgatar uma cosmovisão bíblica, pois o tamanho de nossa visão determinará o tamanho do campo de nossa ação e uma cosmovisão bíblica nos mostra que o trabalho que temos é muito maior do que tem sido pregado e ensinado para a maioria dos seguidores de Jesus hoje. Precisamos compreender a importância disso. Estamos assentados com Cristo nas regiões celestiais e fomos feitos filhos de Deus.  É fundamental tomarmos o conhecimento de nossa função no corpo o corpo de Cristo.

O corpo de Cristo possui muitas funções e muitas expressões que ainda não tem sido levadas em consideração. Através do resgate de nossa cosmovisão bíblica seremos levados a compreender nossa finalidade e nossa identidade estes são fundamentos necessários para sermos cooperadores eficazes para o cumprimento do propósito eterno de Deus. Que a mão do Senhor esteja sobre nós para que a Igreja cresça e que o Reino avance.

Referências
¹Extraído do Livro – Modelo Social do Antigo Testamento – Landa Cope
²Extraído do Livro – Modelo Social do Antigo Testamento – Landa Cope
³Extraído do Livro – Plantando Sementes para o Avivamento – Martin Scott

No amor de Jesus,

Pedro Quintanilha ><>