Mudança de Paradigma

Falamos muito sobre missão, mas o que significa missão?

Não é tanto o caso de que nossa igreja tenha uma missão, mas a missão de Deus tem ou detém a nossa igreja.

Não vamos falar de um plano para realizar uma missão e sim entrar em parceria com Jesus na missão que já é dele.

A muitos estudos bíblicos que analisam os atributos de Deus. Deus é misericordioso, santo e justo, porém existe uma coisa que não ouvimos como Deus pela sua própria natureza é um ser que envia.  Deus envia pessoas para diferentes lugares no antigo testamento estamos cheios desses exemplos, Abraão, Jacó, José, Moisés, Isaías…

A grande paixão da igreja deveria ser engajar-se com Deus em sua missão.

Por isso falaremos sobre algumas transições (mudanças) que precisam acontecer conosco.

A mudança é um fenômeno que sempre vai acontecer, geralmente ela está fora do nosso controle.

Toda Igreja precisa se perguntar: Onde estou? Em que momento eu estou?

Uma das perguntas que um plantador de igrejas faz é: Em que ano (tempo) estamos como Igreja?

Parece estranho, mas toda igreja escolhe viver em uma era. Será que o tempo que a Igreja escolheu viver está alinhado com o tempo que a cultura ao redor está vivendo?

Oito pontos de mudança para que possamos viver como um povo enviado por Deus hoje:

1 – Mudança dos programas para os processos;

Muitas vezes importamos programas para igreja, mas nem todos os programas funcionam sempre.  Mais importante q isso é se engajar em processos.

A Igreja é um corpo e ele tem processos e sistemas que o fazem manter vivo. Quando um dos nossos sistemas não funciona bem há um impacto em todo corpo. A Igreja é um corpo com sistemas ou processos. Precisamos criar processos para alcançar pessoas para Deus através de entender as pessoas que queremos alcançar.

É um erro importarmos uma cultura de fora e chamarmos de missão.

Temos de ser capazes de ouvir o que está por trás dos modelos que estão funcionando e não importar o modelo.

Os propósitos são universais, mas os processos são diferentes de lugar para lugar.

Toda parte é influenciada por outra parte do corpo.

O programa em si não é a resposta, eles podem ser ferramentas.

A importação de programas está fadada ao fracasso, mas existem exceções é quando a igreja local já é um corpo saudável.

Quais são os sistemas necessários, usar as ferramentas em prol desses sistemas.

2 – Mudemos de perfil demográfico para uma capacidade de discernir;

Os brasileiros não vão ser alcançados de uma única forma.

O segmento do público que queremos alcançar não é a resposta, precisamos discernir a comunidade que Deus está nos enviando.

Temos de entender o que Deus já está falando, saber as perguntas das pessoas, ajudar essas pessoas.

Precisamos entender o modo de pensar da pessoa a qual queremos alcançar.

Parte do problema é a maneira como enxergamos o mundo.

As pessoas podem viver perto de nós, mas elas podem pensar e viver bem diferente de nós.

3- Transição de modelos para missões;

É fácil copiar os modelos de outras pessoas pois queremos copiar os sucessos de outras pessoas.

Como podemos aprender de outras pessoas sem copiar o que eles fazem, ao invés de importar estilos e modelos mais pastores devem fazer as perguntas que muitos missionários estão fazendo.

Que estilo de música / adoração ajudará este grupo a adorar em espírito e verdade?

Que métodos de evangelismo eu poderia usar para alcançar o maior número de pessoas sem comprometer o evangelho?

Qual estrutura é melhor para alcançar quem desejamos?

Como essa igreja pode ser um missionário nessa comunidade?

4 –Transição do atracional para o encarnacional;

Atracional = A ideia de que se temos um bom programa as pessoas vão vir e vamos ensinar os irmãos a convidar os amigos para vir.

Temos nos focado há décadas no “celeiro” local onde nos reunimos, a colheita ainda não está vindo para o celeiro.

Nosso papel é representar Cristo no campo da colheita.

A igreja encarnacional se importa mais com a colheita do que com o celeiro.

Nossa igreja deve ter crenças comum mas devem ter manifestações diferentes dessas crenças dependendo da cultura onde ela está inserida.

Deus usou a megaigreja para alcançar a Coreia e usou a igreja nas casas para alcançar a China devemos segurar nossos modelos com a mão aberta mas segurar Jesus com a mão bem fechada.

A resposta não que todos pareçamos da mesma forma, mas que todos estejamos buscando o mesmo alvo, que é glorificar a Deus sendo uma expressão local da igreja onde nós estamos.

A resposta não é uniformizar nossas igreja é termos todos buscando o mesmo alvo.

5- Mudança do profissional para o apaixonado;

O que nos impede de nos engajar na missão de Deus é quando pensamos que os verdadeiros ministros são os que fizeram seminários.

No novo testamento todos são chamados para ser ministro.

Todos no grego significa todos.

Quando a bíblia diz todos e nós vivemos como alguns, tem alguma coisa errada.

Todos são chamados para o ministério.

Todos são enviados em missão.

A pergunta é para onde e para quais pessoas?

Uma das grandes mentiras é que apenas uma classe de pessoas foi chamada para o ministério.

Existe um líder especial e somente ele pode fazer missão, só ele sabe da palavra.

6 – De sentados para sermos enviados;

Nossa preocupação é o impacto de crescimento no Reino de Deus.

Se a cada ano nossa igreja plantar uma igreja e aquelas igreja plantadas plantarem outras a cada ano teremos muito mais pessoas em todas aquelas igrejas do que somente em uma.

Nós não medimos a grandeza de uma igreja pela quantidade de pessoas sentadas nos bancos mas na quantidade de pessoas que conseguimos enviar para fora para começar novas igrejas e ampliar o impacto do Reino de Deus.

Capacitar e Liberar.

“Todo cristão é ou um missionário ou um impostor.” C.H. Spurgeon.

7 –  De convertidos para discípulos;

Não tem como separar evangelismo de discipulado.

8 – Mudança do adicional para o exponencial (da adição para multiplicação);

Um dos sinais de algo que está vivo e que ele se reproduz.

Temos tido pouca adição e menos ainda de multiplicação.

A matemática de Deus é diferente da nossa.

Será que a nossa igreja estará contada com a igreja de Deus que está em missão no mundo.

Que a nossa oração seja:

Senhor envia-nos a todos, mas que comece por mim.

Obs: anotações da segunda palestra de Ed Stetzer  na conferência Atos 29.

Pedro H. M. Quintanilha ><>

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Revitalizando sua igreja para impactar sua cidade

Para que possamos ver uma cidade alcançada é preciso um processo de revitalização da igreja. O que vemos em todo mundo são igrejas que ficam estagnadas.

A pergunta obvia para nós é:

Como fazer as igrejas saírem da estagnação e começarem a se mover novamente?

Com uma mentalidade centrada em Deus queremos aprender com a experiência de outras pessoas para observar como Deus tem operado em outras igrejas e aplicar em nossas igrejas.

Existem 3 coisas que descrevem igrejas revitalizadas e isso mostra o que a igreja deve ser

1 – Igrejas devem ser bíblicas

Essas igrejas devem ter as escrituras como autoridade.

Essas igrejas devem estar focadas em uma liderança definida pelas escrituras.

Deve haver ensino e pregação da palavra de Deus (bíblia).

Deve haver a prática das ordenanças batismo e ceia.

Haja um senso de comunidade aliança uns com os outros.

Senso de missão.

2 – Igrejas precisam ser missionais

Procura viver no lugar que ela foi enviada por Deus (João 20,21), Jesus foi enviado e nos envia.

O problema de muitas igrejas é que elas agem como se já tivessem chegado onde deviam chegar.

Temos de entender como as pessoas falam e pensam e levar o evangelho na linguagem dela isso significa fazer parte da cultura. Mas não temos de nos separar da cultura? Sim por causa dos nossos padrões de santidade vivemos de forma diferente do mundo, mas nós somos chamados para estar no mundo embora não sejamos do mundo.

Viver como cristãos missionais é viver na cultura e nesse processo proclamamos as boas novas. Somos chamados para ser a presença de Cristo para essas pessoas.

A igreja missional vai contextualizar para a comunidade o que significa viver a palavra de Deus.

Quando a Igreja não se preocupa com a cultura a sua volta ela passa a viver como uma subcultura isolada em si mesma e ela faz com que as pessoas que estão à volta passem a experimentar barreiras para ouvir e experimentar o evangelho.

Parte do papel da igreja missional é retirar as pedras de tropeço que são desnecessárias.

Aspectos da igreja missional:

  • Encarnacionais (Representam Jesus em sua comunidade)
  • Autoctonos (Produz onde estão enraizadas)
  • Intencionais (Procura viver como agentes da missão de Deus)

3 – Igrejas precisam ser espirituais

Barreiras para o crescimento espirituais:

Lideres que vivem para eles não para Deus, se posicionam como aqueles que precisa receber.

Pecados impedem o crescimento, isso faz com que Deus discipline a igreja.

Importante lembrar que nem sempre o crescimento numérico é prova da benção de Deus.

A falta de fé de confiança em Deus faz com que algumas igrejas não cresçam, achar que não precisam de nada.

Outra coisa que impede o crescimento é fazer a igreja acontecer sem ser igreja.

Outra questão são falhas em nosso processo de discipulado, pessoas que se tornam cristãs e não crescem na fé.

O último impedimento é o orgulho, nós não sabemos tudo, temos de estar abertos a aprender com outros.

Nós não temos que tornar o evangelho relevante, ele já é nós é que muitas vezes não somos e a maneira que comunicamos o evangelho que deve ser relevante.

Nem todas as igrejas que precisam de revitalização estão em total decadência, algumas precisam voltar o foco, outras precisam recarregar as baterias, outras precisam de reestruturação, as que estão em piores situações as vezes precisam ser reiniciadas.

A forma que tratamos a revitalização depende do nível dos problemas.

Ninguém gosta de mudança, porque a mudança dói. As pessoas vão querer mudar quando a dor da mudança for menor do que a dor de como está. Temos de fazer a pergunta : Qual é o tipo de mudança que precisamos?

Algumas coisas que podem nos distrair dessas mudanças que precisamos:

– Às vezes a igreja passa a ser institucionalizada, se preocupa mais com sua organização do que com a missão.

– Às vezes a igreja funciona como uma associação de voluntários um clube, como um Rotari ou Lyons da cidade.

– Às vezes a igreja não é intencional não age não tem planos estratégias.

– Às vezes a igreja quer se manter pequena, não quer crescer mais.

– Às vezes a igreja acha que não pode competir com as demais (as igrejas grandes tem boas músicas bons programas) Eles precisam se focar no crescimento que Deus quer dar.

– Uma igreja descente e em ordem, tudo tem que sair certinho.

– Às vezes a igreja pode ser muito diferente da comunidade então tenta forçar uma situação pela força do próprio braço sem conseguir resultados, justamente por ser muito “diferente” de quem eles tentam alcançar.

– Às vezes a igreja tem a ilusão de que o tempo parou, ela passa a viver no passado, mas Deus nos chama a viver em missão hoje.

– Às vezes a igreja que está voltada para como tudo está aparentando, em muita ordem, o prédio ao invés de ser a ferramenta passa a ser o alvo.

– Aquela atitude que diz ou faça do meu jeito ou caia fora.

– Aquela igreja “capelania” o pastor existe para satisfazer as necessidades da igreja, só isso.

– A igreja empresa, muitas igrejas locais se perguntam o que a minha denominação quer que eu faça e às vezes estão muito mais preocupadas com o que a sede deseja do que com a sua missão local, o objetivo de uma denominação não pode ser que aja uma uniformidade em suas congregações. A forma como ministramos em muitas maneiras é determinada pelo onde, como e quem da cultura.

– O perigo da igreja que não quer correr riscos, para vermos a igreja revitalizada você vai ter que correr riscos.

O cenário da igreja revitalizada:

Precisamos lembrar que Deus é quem realiza a sua obra e ele usa pessoas para realizar (Salmo 127,1). O Senhor direciona homens para construir, ele reconhece Deus como diretor, orientador e agimos sob sua direção.

– As pessoas da igreja precisam estar engajadas na revitalização, os pastores e lideres não podem fazer isso sozinho, precisamos ajudar as pessoas tomarem a decisão em conjunto.

– Tomar uma decisão a respeito de um plano de ação, para alcançar pessoas, para plantar novas igrejas, para estar em missão porque o planejamento está presente em toda bíblia.

– É preciso ter uma liderança proativa.

O que pessoas fizeram quando lideraram processos de revitalização:

– Os lideres da revitalização são os que tomam a iniciativa da mudança, conduzir a igreja com uma insatisfação santa.

– Desafiar as desculpas, questionar as desculpas e orar regularmente o conteúdo de (Mateus 9 37,38).

– Precisamos comtemplar a seara, ver que a colheita está pronta.

– Para alcançar a comunidade nós mesmos precisamos ser exemplo de evangelismo apaixonado. Existem os evangelistas que Deus deu a igreja mas o evangelismo é um dever de cada cristão.

– A necessidade de compartilhar o ministério, quando partilhamos o ministério todos são responsáveis.

– Tomar decisões de como gasta seu tempo, quando o pastor faz no lugar das pessoas aquilo que Deus chamou as pessoas pra fazer todos perdem e a missão de Deus é “impedida”.

– Distribuir tarefas para igreja, pois quanto mais pessoas estiverem engajadas no ministério mais forte será a igreja.

– Aprender a usar o tempo de forma intencional, Deus nos chama para serem mordomos / administradores fiéis daquilo que nos confiou.

– Aprender a gastar mais tempo com assuntos relacionados a pessoas. Existem dois grupos que os pastores devem gastar mais tempo 1º os lideres, 2º os perdidos.

– Aprender a comunicar uma visão que seja clara e convidativa.

– Lideres da revitalização se multiplicam (2 Timóteo 2).

Existe muito mais que nós precisamos considerar como pregação clara da palavra de Deus, a formação de discípulos…

Que a sua igreja possa experimentar esta revitalização.

Obs: anotações da primeira palestra de Ed Stetzer  na conferência Atos 29.

Pedro Quintanilha ><>

Construindo sobre o fundamento correto

Tenho vivido um tempo muito bom, estou prestes a casar e iniciar uma família. Caminhando sobre princípios e esperando o tempo de Deus para que tudo aconteça da forma que tenho aprendido através do exemplo dos meus pais e irmãos em Cristo.

Creio em casamento eterno e tenho esse exemplo em casa vejo meus pais se amando cada dia mais, se respeitando, brigando sim, como todo casal normal, mas sempre resolvem tudo por meio do diálogo e da oração.

Desejo viver dessa forma com minha futura esposa Flávia, cuidar dela como vaso mais frágil, amá-la como Cristo ama sua Igreja.

Isso me faz pensar sobre o fundamento da nossa fé, durante estes  6 meses que tenho estado envolvido com a construção da minha casa e início de uma nova família, Deus tem me ensinado a descansar nele e aprender cada dia que Ele é meu Pai e provê o que precisamos.

Em se tratando de alicerce e fundamento hoje posso dizer que sei um pouco mais do que isso representa. Quando uma casa está pra ser construída, o terreno é marcado e o alicerce é feito. Se a marcação do terreno não estiver no prumo e o alicerce estiver um pouquinho torto na hora do acabamento da construção as pessoas de fora irão reparar que a casa está torta. Na hora em que a fundação é feita não da pra perceber a não ser que coloque o prumo para verificar. A medida que a casa vai sendo construída você começa a perceber que tem algo errado e se não consertar a tempo precisará usar os móveis, tapetes e outros utensílios para disfarçar o erro que foi deixado passar quando foi feita a fundação.

Uma coisa que aprendi, é que é importantíssimo ter o fundamento correto e também saber quem edifica sobre esse fundamento. Um sábio construtor põe o fundamento correto e verifica como edifica sua construção sobre esse fundamento (alicerce), pois apesar do fundamento ser a parte mais importante da construção se o complemento da edificação não estiver corretamente construído sobre o mesmo não adianta ter o fundamento correto, pois a construção será torta no fim.

Desejo iniciar minha família alicerçada no fundamento correto e construí-la sobre este fundamento.

Resumindo: O fundamento é muito importante, é a parte principal da sua construção. Veja quem está construindo e o que tem sido seu fundamento, veja como está construindo sobre esse fundamento, escolha bem com quem você irá compartilhar essa construção, esteja atendo a sua construção para que não seja necessário usar acessórios para maquiar um erro. É melhor quebrar o que está errado e consertar, mesmo que isso lhe dê trabalho.

É isso, desejo que todos decidam construir suas vidas sobre o fundamento correto.

No amor de Jesus,

Pedro Quintanilha ><>

O Ministério Apostólico e as Escrituras

O cessacionismo dispensacionalista afirma que o dom apostólico cessou com a morte da geração da Igreja Primitiva. No entendimento dos irmãos que defendem esta crença, um dos requisitos do dom apostólico era redigir as Escrituras do cânon. Os apóstolos supostamente eram um grupo seleto com autoridade exclusiva para escrever e/ou supervisionar a redação dos livros da Bíblia.

A conclusão, portanto, é a de que, uma vez que o cânon já está fechado e a Palavra de Deus está completa, não há e jamais haverá apóstolos que sucedam os apóstolos bíblicos, pois nenhum homem tem o poder de adicionar livros às Sagradas Escrituras.

A verdade, porém, é que este silogismo está comprometido, pois parte de uma premissa totalmente carente de sustentação bíblica. A idéia de que a operação do dom apostólico está relacionada de forma restrita à redação de Escrituras é uma filosofia que se fossilizou ao longo dos anos, mas não é algo que a Bíblia nos ensina, como veremos.

Ironicamente, o primeiro Apóstolo, Jesus (Hb 3.1), não escreveu absolutamente nada além de algumas palavras na areia (Jo 8:6). Dos 12 apóstolos originais, somente uma minoria produziu escritos canônicos (Pedro, João, Mateus). Dos demais apóstolos, somente Judas e Tiago (meio-irmãos do Senhor Jesus) e Paulo escreveram Escrituras. A maioria absoluta dos apóstolos não se preocupou em escrever ou incluir novos escritos no cânon, pois para eles as Escrituras já existiam (o Antigo Testamento) e toda sua revelação apontava para elas.

É mais do que óbvio, portanto, que “escrever ou supervisionar a redação das Escrituras” não é a marca principal do apostolado. O principal papel do ministério apostólico/profético não é expandir o cânon, mas manifestar, no tempo e no espaço, a revelação para a qual o cânon aponta.

A própria Bíblia nos demonstra claramente que, a exemplo de Barnabé, apóstolos e profetas não têm que necessariamente criar novas Escrituras. A principal característica destes ministérios é trazer revelação (literalmente “tiram o véu”) das Escrituras já existentes, pela natureza e operação de seu dom. São catalisadores do Espírito Santo para levar a Igreja da Letra para a Realidade pela Palavra Viva – a manisfestação ao vivo e em cores daquilo que antes estava restrito à letra. Apóstolos e profetas sempre apontam para as Escrituras já existentes, pois elas é que testificam de sua mensagem e de seus frutos. Assim foi com o primeiro Apóstolo, Jesus, assim foi com os demais e assim será com os vindouros.

Um outro equívoco, amplamente difundido entre os cessacionistas dispensacionalistas, é o de que as Escrituras hoje cumprem o papel do ministério apostólico. Em outras palavras, cada vez que a Palavra de Deus no Novo Testamento é lida e proclamada, o ministério apostólico cumpre o seu papel.

Em primeiro lugar, é bom nos recordarmos de que 1 Co 12:28 relaciona o dom apostólico juntamente com os demais dons espirituais. Portanto, é lógico pensar que, assim como os demais dons não cessaram e estão disponíveis à Igreja, do mesmo modo o dom apostólico.

De acordo com Efésios 4.11-13, o plano de Deus é que a Igreja seja suprida com apóstolos e profetas assim como é com pastores, evangelistas e mestres “até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo”. Se ainda não chegamos ao pleno conhecimento do Filho de Deus e à perfeita varonilidade, apóstolos e profetas são tão necessários quanto pastores, mestres e evangelistas.

Paulo uma vez mais lista apóstolos e profetas de maneira indistinta dos demais ministérios. Se o ministério apostólico estivesse restrito a um número limitado de pessoas, Paulo não os teria relacionado com os demais quando escreveu aos Coríntios e aos Efésios. Não há absolutamente nenhuma passagem bíblica que afirme que alguns dons continuariam sendo dados ao Corpo de Cristo e outros cessariam ou seriam substituídos pelas Escrituras.

Como frutos de uma sociedade ocidental, e consequentemente do escolasticismo grego, realmente pensamos que o ministério apostólico se resumia na proclamação e no ensino das Escrituras. Reduzimos o apostolado à mera exposição exegética de um conjunto de doutrinas bíblicas. Como filhotes de Aristóteles, de Sócrates e de Platão, pensamos que realmente podemos entender e manifestar o mistério entre Cristo e a Igreja somente usando o lóbulo frontal do cérebro. Mas o Fundamento apostólico não se limita à mera exposição exegética das Escrituras.

Apóstolos são pessoas que possuem revelação do DNA da Igreja e entendem seu funcionamento. Em outras palavras, o ministério apostólico vai muito além de pregar a “doutrina correta”, mas se estende a capacitar os membros da Ekklesia a operarem em uma dimensão real de sacerdócio universal (algo que a Igreja Protestante somente recita, mas pouco implementa na prática). Quando um apóstolo lançava o Fundamento, como sábio arquiteto (1 Co 3:10), não apresentava um conjunto de doutrinas, mas provocava a manifestação de uma Pessoa no Corpo de Cristo. Os dons apostólico e profético na Igreja funcionam como catalisadores do Espírito que organizam os elementos da Casa de Deus (a Palavra e os dons espirituais) de forma que seus membros operem organicamente, literalmente como o Corpo. Apóstolos e profetas não se limitam a somente estabelecer conceitos corretos, mas também o modus operandi (MO) correto da Igreja, de acordo com os moldes lançados pelos primeiros apóstolos. Isso é lançar o Fundamento apostólico/profético.

O alicerce (fundamento) de uma casa determina sua forma. O MO ou a forma da Igreja atual não reflete o fundamento dos primeiros apóstolos e profetas. Seu fundamento não é apostólico-profético, é fruto de uma tradição greco-romana clerical-templocêntrica que se cristalizou na Casa de Deus ao longo de milênios. A Igreja hoje opera nas bases da organização (institucionalismo romano) e da teologia contemplativa que exalta o poder do conhecimento intelectual (escolasticismo grego), em detrimento da Palavra Viva revelada. O homem está satisfeito com seu modelo greco-romano de Igreja, visto que apresenta uma necessidade inerente de controlar as coisas para se sentir seguro. Apóstolos e profetas nos dias atuais apontam para a revelação bíblica de uma Igreja simples, que opera de forma descomplicada , espontânea, orgânica e acima de tudo descentralizada.

A Igreja sempre teve a Palavra Escrita em suas mãos. Mas anos e anos de tradição religiosa encobriram muitos princípios nela revelados. Necessitamos de apóstolos e profetas nos dias atuais que possam levar a Igreja de volta à simplicidade e ao dinamismo descritos na Palavra Escrita, mas que por falta de revelação, estão congelados na forma da Letra.

É bom ressaltar o óbio: os primeiros apóstolos possuem a primazia. Mas eles são singulares, não porque foram os únicos, mas por que foram os primeiros e portanto estabelecem a referência. São nossos pais espirituais porque, como prudentes construtores, nos apresentaram a planta da Casa de Deus (e ninguém jamais deverá edificar fora das medidas por eles apresentadas). O ministério apostólico nos dias vindouros não fará novas adições à Casa, antes edificará segundo as medidas que foram apresentadas no passado (e que foram encobertas pela tradição religiosa). Não haverá “nova revelação” a ser acrescentada e sim a revelação das coisas que já nos foram dadas nas Escrituras e que outrora estiveram encobertas. Assim foi com o primeiro Apóstolo, assim foi com os demais e assim será com os vindouros. Da Letra para a Realidade. Da Palavra Escrita à Palavra Viva.

Fonte: © Pão & Vinho

No amor de Jesus,

Pedro Quintanilha ><>

Modalidade e Sodalidade

No Brasil e em grande parte do mundo cristão, quase não se questiona a estrutura da igreja local, representada principalmente pelas congregações denominacionais. Para nós, igreja é sinônimo de instituição. Isso faz com que as estruturas missionárias não ligadas a uma denominação específica ou interdenominacionais sejam vistas como paraeclesiásticas –próximas da igreja, mas não parte dela. Daí conclui-se: se as congregações fossem “mais missionárias”, não precisaríamos das agências de missões.

No entanto, estudiosos que dedicaram-se à análise das formas como a igreja se apresenta ao longo de sua história identificaram duas estruturas diferentes e complementares; ambas compondo igualmente o corpo de Cristo. No Novo Testamento, vemos as igrejas locais, congregacionais –a modalidade– e os grupos missionários, especialmente o de Paulo –a sodalidade.

De acordo com o antropólogo e missiólogo Dr. Ralph D. Winter, as modalidades são “comunidades estruturadas nas quais não há distinção de sexo ou idade”, ou seja, fazem parte dela igualmente “velho e jovem, homem e mulher”; “é um organismo biologicamente perpetuável”. Entre as funções da modalidade estão: congregar, cuidar, nutrir os crentes locais e atuar no contexto social à sua volta. Por sua vez, as sodalidades são estruturas organizadas em torno de alvos específicos e de um senso comum de missão e visão. Exigem de seus membros uma segunda decisão, baseada em um chamado e vocação, e também o compromisso com um estilo de vida alternativo visando o alcance dos alvos, vivência da missão e implementação da visão. Entretanto, o nível de compromisso com o relacionamento com Deus e com incluir o próximo nesse relacionamento deve ser o mesmo em ambas as estruturas.

Dentro destas características, temos as modalidades sendo representadas ao longo da história pelas sinagogas cristãs dos primeiros séculos do Cristianismo, pelas paróquias e dioceses da igreja romana e, mais recentemente, pelas congregações denominacionais evangélicas. As sodalidades, por sua vez, são representadas pelos grupos missionários como o de Paulo, pelas ordens religiosas católicas, e pelas juntas e agências missionárias da Era Moderna.

Uma importante característica da sodalidade é sua autonomia. Observando a relação do grupo missionário de Paulo com a igreja de Antioquia, a qual o liberou para o trabalho que o Espírito Santo lhe havia enviado a fazer [Atos 13:1-4], podemos observar que Paulo era autônomo em relação a ela na tomada de suas decisões, mas totalmente submisso ao Espírito [Atos 16:6-10]. No entanto, não houve um rompimento de Paulo com esta igreja; pelo contrário, apesar de não ser governado por ela, Paulo reportou-se, prestou contas de seu ministério à igreja em Antioquia e a via como um lugar para onde podia retornar de suas viagens [Atos 14:26-28].

Há de se diferenciar aqui autonomia de independência. A sodalidade de Paulo era autônoma em relação à igreja que o liberou, ou seja, possuía capacidade de administrar-se livremente de acordo com as necessidades da missão a ser cumprida, mas não era independente no sentido de ausência de relações. Na verdade, este relacionamento entre modalidade e sodalidade é “tão fundamental” que dele provém grande parte dos escritos do Novo Testamento –as cartas enviadas de membros das sodalidades às igrejas locais. Vemos também que os membros da sodalidade são comumente provenientes da modalidade.

Enfim, há uma relação de interdependência entre as estruturas e ambas são legítimas na composição do corpo de Cristo. Funções diferentes, mas igual importância. Quando entendermos e vivermos isto, seremos realmente eficientes no cumprimento da grande comissão, pois assim refletiremos a união que Jesus mencionou como a característica pela qual o mundo reconheceria que Deus o enviou [João 17:21]. Duas estruturas, mas um só corpo.

Identificação, conceito e justiça

O zelo dos reformadores protestantes em retomar o Cristianismo em sua essência e criar uma identidade cristã fora do Catolicismo atropelou tradições cristãs que remetem historicamente à herança abraâmica. Com a privatização da Igreja no século 18, o Cristianismo moderno se distanciou ainda mais dessas heranças. O cristão se tornou um indivíduo afastado do meio, inerte em atividades elevadas ao estatuto de sagradas.

No final dos anos 1960, os frades dominicanos, envolvidos na luta contra a ditadura militar no Brasil, foram expressão da mudança de rumos da organização popular na sociedade brasileira. O Brasil vivia dois conflitos: a economia em mãos estrangeiras e o Estado em poder de autocratas militares. Partindo de uma nova maneira de ler a Bíblia e da preocupação com o que significaria ser cristão naquela conjuntura, abandonando a antiga dualidade entre fé e vida, a ordem dos dominicanos se tornou o embrião dos movimentos populares.

Durante o golpe militar, esses movimentos foram vistos como laboratórios de idéias comunistas e seus participantes perseguidos pelo regime autoritário; no entanto, a população encontrou entre eles a sua voz. “Quando dou pão aos pobres, chamam-me de santo, quando pergunto pelas causas da pobreza, me chamam de comunista”, diz Dom Helder Câmara.

Se com a supressão dos direitos constitucionais, perseguição política, prisão e tortura aos opositores, censura aos meios de comunicação, as pessoas imergiram em um universo despolitizado, a ordem dos frades fazia o caminho inverso. Mobilizaram-se para promover novos espaços públicos, amparar presos políticos e convergir grupos que, por ideologia, se posicionavam em resistência às injustiças contra o povo.

A desigualdade social, que ao longo da história é denunciada por diversos grupos, é costumeiramente fruto de mudanças nas ênfases econômicas e no modo de produção. Em Israel, por volta do século 8 a.C., a economia da nação, a exemplo do modo fenício, investiu no incremento do comércio em detrimento da agricultura; o que resultou, como afirma Toynbee, em “uma alteração quase revolucionária na distribuição da riqueza, com desvantagem para a maioria pobre da população.”

Nesse período reinava sobre Israel Jeroboão II. Seu reinado foi marcado por um período de expansão territorial e prosperidade. Mesmo com o cisma ocorrido anteriormente, na morte de Salomão –que dividiu a nação em dois reinos– Israel vivenciou no século 8 a.C. um período de estabilidade política e prosperidade econômica com a tomada da Síria pela Assíria, o que possibilitou a expansão territorial por meio da retomada das terras ocupadas pelo reino sírio. Todavia, o bem-estar econômico e político ocultava uma decomposição social. O contraste entre ricos e pobres denunciava injustiças e degradação moral.

Esses fatos são evidenciados nos escritos do profeta Amós, presentes na composição bíblica. Amós, contemporâneo de Jeroboão II, relata a sociedade da qual faz parte. A fluência e a construção de seu texto revela um homem em contato direto com as questões do seu tempo em matéria de sociedade, política e economia.

A palavra profeta chega a nós através do vocábulo hebraico nabi, ou “aquele que proclama”; um conceito diferente do utilizado hoje, que relaciona a palavra à predição. Dessa forma, o trabalho de Amós era o de anunciar a Israel o castigo que viria como conseqüência de suas práticas de injustiça. Fazendo-se uma voz contra injustiça, Amós denunciava as práticas sociais que iam contra o conceito de justiça presente na religião e na cultura hebraica.

A essência da ação de Amós se concentra na sua compreensão da idéia de Deus. Para ele, todo entendimento de Deus estava baseado no pressuposto de justiça. A moralidade e a justiça eram centrais em Deus. Dessa forma, ele apresenta em seu discurso a implantação da justiça como única via de remissão, colocando o homem como agente direto de transformação e responsável pelo destino da sociedade. Amós posiciona o homem como um agente social.

O caráter social da atuação dos profetas em Israel está relacionado à influência que eles representavam no campo das idéias. Sua maior responsabilidade não estava em estruturar um plano de reforma social propriamente dito, ou uma mobilização social em termos revolucionários, mas em produzir conceitos a serem lançados sobre a sociedade, que modificariam tanto o pensamento como a prática social. O filósofo José Luís Sicre, em sua obra Profetismo em Israel, aponta o caráter social da atuação dos profetas: “Um dos aspectos mais célebres e importantes da mensagem profética é constituído pela sua denúncia dos problemas sociais e pelo seu esforço em prol de uma sociedade mais justa.”

Na modernidade, com o apogeu do iluminismo, as sociedades ocidentais se empenharam em dissociar a religião das questões sociais humanas; retomando o conceito grego que diferenciava os espectros humanos entre mythos e logos, em que o mythos englobaria exclusivamente as questões intemporais, religiosas e de transcendência.

Desde então, a religião tem sido compreendida como responsável apenas pela espiritualidade do homem, não comunicando em nada com os enfrentamentos da sociedade em geral. Parecendo abusiva e fora de jurisdição qualquer crítica social ou atuação relevante, as sodalidades hoje enfrentam o dilema de responder a questões sociais em um mundo que não as compreende.

Na prática, as sodalidades religiosas buscam responder a três necessidades: identificação, conceito e justiça social. Sociologicamente, representam a capacidade humana de construir grupos com um propósito específico. Em Roma, por volta do século 7 a.C., o termo sodalitas englobava dois agrupamentos sociais: um político, outro religioso. As sodalidades políticas reuniam bens e habilidades de pessoas abastadas para se promover, enquanto as religiosas convergiam recursos e talentos para se ocupar das questões que envolviam a complexidade humana, seja em aspectos de moral, transcendência ou vivência.

Com a decadência do Império Romano, o conceito de sodalidade política se esvaneceu, permanecendo exclusivamente o de caráter religioso. Hoje, as associações que ousam se afastar do conceito iluminista sobre a prática religiosa para convergir habilidade, conhecimento e know-how estão fadadas a serem desacreditadas em sua finalidade. Na pós-modernidade esta prática parece ser legítima apenas às instituições do mercado.

Modalidade

Sodalidade

Comunidades estruturadas

Estruturas organizadas
Sem distinção de idade e sexo

Limitada por idade, sexo ou estado civil.

Organismo biologicamente perpetuável

Exige uma segunda decisão baseada em um chamado e vocação

Congregar, cuidar, nutrir crentes locais

Conceito, identificação e Voz contra a injustiça

Atuar no contexto social a sua volta

Alvos comuns, Senso comum de missão e visão

Prepara e capacita para o serviço e testemunho dos crentes locais

Compromisso com um estilo de vida alternativo visando o alcance dos alvos, vivência da missão e implementação da visão

Sinagogas cristãs do I Século, paróquias e dioceses da igreja romana e denominações evangélicas.

Grupos missionários como o de Paulo, Ordens Religiosas católicas e juntas e agências missionárias da era moderna.
Mantêm laços e apóia

Autonomia nas decisões, mas presta contas

Relação de Interdependência entre as estruturas e as duas são legítimas na composição do Corpo de Cristo

Nível de compromisso no relacionamento com Deus e no incluir o próximo neste relacionamento deve ser o mesmo em ambas

Fonte: Jocum DF

No amor de Jesus,

Pedro Quintanilha ><>

Pós Modernidade com Zygmunt Bauman

Entrevista com o filósofo e judeu polonês Zygmunt Bauman para o Fronteiras do Pensamento, apresentada na ocasião do encontro com o pensador francês Edgar Morin.  Bauman tem sido reconhecido mundialmente como um dos grandes intérpretes do fenômeno conhecido como “pós-modernidade”, ele mesmo foi o criado do termo “modernidade líquida”.  O vídeo está legendado e é uma excelente introdução ao fenômeno de migrações e crises identitária oriundas do desenraizamento e estreitamento das fronteiras, produzido pela modernidade e a globalização.

Fonte: http://pensarigor.blogspot.com

No amor de Jesus,

Pedro Quintanilha ><>