Resgatando a Cosmovisão Bíblica

O que é cosmovisão?

Cosmovisão nada mais é do que a nossa visão de mundo, a visão que temos do todo. É muito importante termos uma cosmovisão bíblica, pois a forma com que vemos o mundo e cremos moldará nossas atitudes, se tivermos uma cosmovisão fraca seremos fracos, se tivermos uma cosmovisão mentirosa viveremos uma mentira. Muitas vezes não paramos para refletir sobre o que cremos ou se as nossas crenças estão de acordo com a Bíblia, isso é um grande problema pois a falta de reflexão e questionamento pessoal fazem com que sejamos levados com a maré e sem percebermos nos tornamos um subproduto do sistema de crenças vigente no mundo. Acabamos  moldados pelo nosso meio e  mesmo sem saber o porque passamos a crer e viver segundo a visão de nossos relacionamentos.

Vivemos uma contradição atrás da outra, isso se intensifica quando somos confrontados com outras cosmovisões e por falta de entendimento não sabemos como responder então entramos em crise.  Precisamos saber que existem verdades absolutas e mandamentos que se abraçarmos e seguirmos experimentaremos a transformação de nossas vidas, cidades e nações.

“Quando uma quantidade razoável de pessoas tem a Bíblia e aplicam aquilo que ela ensina em suas vidas, a nação começa a ser transformada” – Loren Cunninghan

Perdemos nossa cosmovisão bíblica ¹

Jesus ensinava que a única maneira de se entrar no Reino de Deus era por intermédio d’Ele, mas, sempre colocava a salvação dentro do contexto da mensagem completa do Reino de Deus. Devemos saber como é que Deus quer que vivamos.

As verdades do evangelho do Reino existem para transformar enquanto nos ensinam sobre como viver em cada área de nossas vidas. Então, nossas vidas são transformadas para serem sal e luz para nossas famílias, vizinhos, comunidades e finalmente, nossas nações, fazendo delas lugares melhores para se viver. Não comunidades perfeitas, porém comunidades melhores, porque a influência do bem pode ser maior que a influência do mal. Existem grandes exemplos na História. A transformação de vidas foi tão enfatizada na história da Igreja que se fala que nunca existiu um avivalista usado por Deus que acreditasse que Seus propósitos se cumpriam com o avivamento. Todos acreditavam que o avivamento verdadeiro culminava na transformação significativa das comunidades, por meio da influência da Igreja avivada em toda a Sociedade.

Estudos sociológicos comprovam que é necessário somente 20% de uma sociedade com o mesmo ideal para que possa influenciar e até liderar os outros 80% numa determinada direção. Alguns dizem que, hoje, existe um número de cristãos no mundo maior que o total de cristãos que já existiu na História. Não temos exercido a influencia que deveríamos, pois perdemos a nossa cosmovisão bíblica.

Pensamento cristão dividido ²

Através dos dois últimos séculos, os cristãos, especialmente os evangélicos, têm desenvolvido uma visão dividida do mundo. Esse processo foi acontecendo em tempos, regiões e denominações diferentes, mas, podemos dizer que, atualmente, esse pensamento dicotômico domina a maior parte do Cristianismo.

Essa dicotomia se desenvolveu da seguinte forma: uma parte da Igreja era da opinião de que a salvação era por conta de Deus, portanto, a responsabilidade da Igreja era cuidar das necessidades básicas do homem como alimento, vestuário, abrigo, Saúde e, talvez até, Educação. Outra parte da Igreja reagiu com um forte “Não!”. Sua opinião era a de que somente a alma do homem e a vida eterna tinham valor, portanto, o objetivo desse grupo se concentrava na salvação do homem. Eles se diziam preocupados com os assuntos espirituais, enquanto os do grupo anterior se preocupavam apenas com os materiais. Aqueles que achavam que a função principal da Igreja era somente a salvação dos homens se tornaram conhecidos como evangélicos e começaram a se referir aos membros do outro grupo como liberais. Os evangélicos estavam preocupados com os assuntos eternos e espirituais. Os liberais estavam mais preocupados com assuntos mundanos do dia a dia.

Os evangélicos pregavam a mensagem espiritual da salvação e se concentravam nos assuntos sagrados. Já os liberais, na opinião dos evangélicos, pregavam o evangelho social e estavam mais preocupados com os assuntos seculares. Essa cosmovisão aumentou com a ênfase crescente na volta imediata de Jesus e o conceito de que tudo que era secular iria para o inferno.

Essa é uma maneira bastante simples de se analisar temas doutrinários consideravelmente bem mais complexos. O que estou querendo ressaltar aqui é, simplesmente, que, uma visão dividida do mundo invadiu a Igreja e transformou a “salvação de almas” na principal mensagem do evangelho que pregamos hoje. Os cristãos, em sua maioria, tornaram-se mais preocupados com os assuntos “espirituais” da fé: salvação, oração, batalha espiritual, curas e céu. Começamos a crer que só tínhamos tempo suficiente para conseguir salvar as almas e mais nada.

O EVANGELHO DIVIDIDO

ESPIRITUAL

MATERIAL

SALVAÇÃO

SOCIAL

ETERNO

TEMPORÁRIO

CELESTIAL

TERRENO

EVANGÉLICO

LIBERAL

SAGRADO

SECULAR

A tragédia nessa divisão, como acontece na maioria dos casos, é que ambos os lados estavam certos e ambos os lados estavam errados. Os evangélicos estavam certos com relação ao que o Evangelho era, e errados nos que eles pensavam que o Evangelho não era. O Evangelho que Jesus ensinava, fundamentado nos ensinamentos completos de Deus a Israel, por intermédio de Moisés e dos profetas, era uma mensagem que lidava com pecado e salvação, céu e inferno, oração e batalha espiritual. Os liberais por sua vez, estavam corretos ao dizer que também era uma mensagem sobre o desejo de Deus por um Governo justo, por distribuição da renda justa, pelo uso apropriado da Ciência e da Tecnologia, da Comunicação, Artes, Família e todas as outras áreas da vida.

O resultado de um evangelho dividido e reduzido é fácil de ver no mundo em que vivemos atualmente. Nunca houve antes na História tantos cristãos, em tantas igrejas, em tantas nações, falando tantos idiomas. Mas, creio que também é justo dizer que nunca a expansão da Igreja teve tão pouco impacto em suas comunidades como nos dias de hoje. A Igreja evangélica atual é uma igreja enorme, porém fraca, pois, perdemos a maior parte da mensagem do Reino. Podemos dizer que os assuntos sociais, econômicos e jurídicos de nossas comunidades não são problemas nossos porque temos uma visão dicotômica do mundo. Somos “líderes espirituais” e não nos preocupamos com problemas seculares. Porém, não precisamos parar de pregar a mensagem da salvação individual, mas sim, precisamos desesperadamente recuperar as verdades essenciais contidas no restante da mensagem do Reino de Deus. Temos de renovar a nossa mente e ver as nossas vidas transformadas, alinhando todos os nossos pensamentos com os pensamentos de Jesus Cristo. Só assim, a Igreja do século XXI vai conseguir mudar o mundo e, só então, o Corpo de Cristo será, não apenas grande e diversificado, mas também, reconquistará a sua capacidade de influenciar.

Quatro cosmovisões ³

Como já vimos nossa cosmovisão determinará se conseguiremos cumprir ou não a missão que Deus designou para nós, falaremos sobre nossa missão no próximo tópico, agora vamos analisar as quatro cosmovisões predominantes nos dias de hoje e a partir disso identificar qual cosmovisão temos seguido e refletir se devemos mudar ou não nossa cosmovisão.

1. Cosmovisão Espiritualista – É nela que a vida é nitidamente dividida entre alma/espírito e corpo. O “eu” essencial é a alma, para que eu simplesmente viva em meu corpo. De acordo com essa cosmovisão, o mundo real é o reino espiritual. Coisas acontecem aqui por causa do mundo espiritual e acredita-se que a harmonia precisa ser restaurada. A salvação, nessa cosmovisão, torna-se uma fuga deste mundo, muitas vezes a dissolução da pessoa na realidade espiritual maior de “Deus”. Esta é uma cosmovisão de mundo do Oriente, embora esteja agora mais em evidência no Ocidente por meio de movimentos do tipo Nova Era. O oposto desse ponto de vista é:

2. Cosmovisão Materialista – Nessa cosmovisão, não há vida após a morte e não há reino espiritual. O mundo espiritual é simplesmente uma ilusão. Essa cosmovisão tem sido forte no Ocidente, resultando na crença de que há simplesmente causa (física) e efeito.

Ao colocarmos essas duas cosmovisões lado a lado (figura 1), podemos ilustrar como alguém afirma que o reino espiritual é real e nega a realidade do reino material (a cosmovisão de mundo espiritualista), enquanto a cosmovisão de mundo materialista faz exatamente o contrário.

Figura 1

3. A cosmovisão teológica (evangélica) – Ao utilizar este termo, não queremos sugerir que todos os teólogos e evangélicos adotam este ponto de vista mas está é uma tendência que vem dominando o pensamento da maioria dos cristãos. Inevitavelmente, aqueles que o defendem normalmente são ocidentais e sem uma grande experiência com demônios. Isso afirma que as esferas do espiritual e do material continuam muito distintas uma da outra (figura 2). Passamos de uma para a outra na morte, mas não há uma relação ou interação significativa entre ambas. Embora existam anjos e demônios, eles normalmente não invadem este mundo, uma vez que pertencem ao “outro” mundo. Portanto, em termos práticos, essa cosmovisão pode levar mais à abordagem de espiritualidade (visão de mundo espiritualista) do Oriente, em que o nosso foco está na “salvação de almas”, embora se pareça com a do Ocidente no sentido de não estar concentrada no reino espiritual e celestial no aqui e agora. Com essa cosmovisão (diferente da Bíblia), o céu só se torna um lugar para onde vamos ao tempo determinado e não uma dimensão que pode invadir o espaço e o tempo presente.

Figura 2

4. Cosmovisão Bíblica – Neste ponto de vista, todas as coisas terrenas têm um correspondente celestial. Eventos ocorrem simultaneamente no céu e na terra. Por exemplo, quando ocorre uma guerra na terra, há guerra no céu. O que acontece na terra afeta o que acontece no céu, e vice-versa. Vemos o reflexo dessa visão de mundo em passagens como Apocalipse 12, onde lemos sobre uma batalha no céu no nível angelical, mas que o sucesso desta batalha está atrelado ao fato de que “…eles[os santos na terra] o venceram…”. Também vemos esse ponto de vista na narrativa sobre as mãos de Moisés se erguendo em oração. Enquanto ele prevalece no reino espiritual, Josué prevalece no reino terreno. Podemos ilustrar esse ponto de vista com a figura 3. Em tudo isso, é importante perceber que nossa visão de mundo afetará nossa abordagem quanto à guerra espiritual e quanto à vida. Precisamos deixar que a cosmovisão bíblica seja a base de nosso entendimento.

Figura 3

Se nossa cosmovisão for simplesmente espiritualista, então, enfatizaremos somente a questão dos demônios. Se for uma cosmovisão não orientada para a criação (refletida por exemplo, em uma abordagem do tipo: “Não somos seres humanos que temos uma breve experiência espiritual, mas seres espirituais que têm uma breve experiência humana)”, então nosso foco estará nas “questões reais” de guerra celestial, que infelizmente, significará envolvimento não-terreno.

Se nossa cosmovisão for mais orientada para o materialismo, não esperaremos grandes mudanças por meio da oração. Aceitaremos que é assim que as coisas funcionam: coisas ruins acontecem. Entretanto, podemos envolver-nos com as instituições e lugares que são responsáveis pela justiça.

No mundo ocidental, normalmente aceita-se ou a abordagem teológica, com demônios no “ar”, mas com esses poderes separados da vida física e política, ou uma variação  da visão de mundo materialista em que não existem demônios (certamente em nenhum sentido prático da palavra). No mundo carismático, muitas vezes deixamos de atentar para a ligação destes poderes com a terra; assim, há uma tendência de distinguir poderes espirituais e procurar discuti-los sem qualquer análise racional ou compreensão de como eles chegaram ali ou estabeleceram uma base.

A relação do céu (e das regiões celestiais) com a terra aparece através de toda a Bíblia. Na realidade, o principal contraste e principal comparação não estão entre o céu e o inferno, mas entre céu e terra. Infelizmente, tem-se mudado o foca das realidades que se referem a trazer o céu para a terra agora e da realidade final de um novo céu e uma nova terra, para o que acontece na morte e pra a uma ênfase correspondente em uma existência espiritual além-túmulo.

Crer no céu e na interação entre céu e terra significa que nosso papel principal é trazer a ordem do céu para a terra: de acordo com a Oração do Senhor (Mt 6.10). Nosso alvo é ver Satanás cair do céu enquanto participamos do ministério de Jesus (Lc 10.18 e Ap 12.7-12). Essa interação entre céu e terra pode ser vista claramente na carta aos Efésios, que diz que nossa batalha é “…nas regiões celestiais”(6.12) e que nós (que estamos na terra e na igreja) estamos assentados com Cristo nos lugares celestiais agora (2.6).

Portanto, o céu não é tanto um lugar para onde se deve ir ou um lugar relacionado a uma experiência futura após a morte; é mais uma descrição de uma posição ou dimensão de poder, autoridade e realidade que afeta os assuntos da humanidade na terra. É o lugar ou dimensão onde a vontade de Deus está sendo feita em toda a sua plenitude, sem a presença do mal. É para que este propósito seja manifestado na terra que estamos orando. Assim, em Lucas 10.18, quando Jesus afirma que viu Satanás caindo do céu como um raio enquanto os discípulos ministravam e expulsavam demônios, Ele desejava que eles entendessem que a razão de terem tido êxito se deveu ao fato de seus nomes estarem escritos no céu. Seus nomes (identidades) estavam no alto e esta era a razão por que sua batalha espiritual na terra fora bem-sucedida.

É vital termos esta compreensão da relação que existe entre céu e terra para que possamos cumprir com a missão que o Senhor designou para nós, este é assunto para nosso próximo tópico.


Cumprindo a missão

Agora que redescobrimos a cosmovisão bíblica temos a capacidade de compreender e trabalhar para o cumprimento da missão que o Senhor nos deixou e cooperar com o propósito  eterno de Deus.

Jesus deixou algumas instruções para seus discípulos no que diz respeito a missão que temos como povo de Deus:

“Então, Jesus aproximou-se deles e disse: Foi-me dada toda a autoridade nos Céus e na Terra. Portanto,vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos.” Mt 28: 18-20

“E disse-lhes: Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as pessoas.” Mc 16: 15

“Então lhes abriu o entendimento, para que pudessem compreender as Escrituras. E lhes disse: Está escrito que o Cristo haveria de sofrer e ressuscitar dos mortos no terceiro dia, e que em seu nome seria pregado o arrependimento para perdão de pecados a todas as nações, começando por Jerusalém.” Lc 24: 45-47

Podemos resumir a missão que Jesus deixou nestes versículos em dois simples mandamentos que são: “alcançar cada criatura e discipular nações.” Isso fala de duas implicações da missão alcançar e ensinar.

O propósito de Deus sempre foi o mesmo desde a Eternidade, vemos o isso desde Adão, passando por Abraão e segue em Jesus, o propósito nunca mudou.

Para Adão:

“Deus os abençoou, e lhes disse: “Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem sobre a terra”. Gn 1:28

Para Abraão:

“Esteja certo de que  o abençoarei e farei seus descendentes tão numerosos como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar. Sua descendência conquistará as cidades dos que lhe forem inimigos e, por meio dela, todos os povos da terra serão abençoados, porque você me obedeceu”. Gn 22.17-18

Paulo conhecia este propósito eterno e o deixou claro nos seus escritos:

Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.” Rm 8:29

“Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade, para o louvor da sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado.” Ef 1:5-6

Podemos conceituar o propósito eterno de Deus como: Uma família de muitos filhos semelhantes a Jesus para glória de Deus o Pai.

Vemos a manifestação do Reino de Deus por meio de três tipos de comunidades poderíamos chamar estas comunidades de comunidades proféticas, pois são comunidades que tem o objetivo de expressar Deus e seu Reino sobre a Terra.

A primeira comunidade que conduziu o Reino na Terra foi composta por Adão e Eva, o Jardim do Éden é o que podemos chamar de semente do Reino. Deus colocou naquele Jardim um homem e uma mulher que possuíam plena comunhão com ele e autoridade sobre toda a Terra, Deus demonstra seu amor por eles lhes dando liberdade e limites. Assim estabelece o princípio de avanço do Reino a obediência que pra nós só ficará mais claro quando enxergarmos a vida de Jesus e os escritos de Paulo, pois Adão desobedeceu não proporcionando avanço para o Reino e alem disso inaugurando sem querer um Império.

Na queda foi perdida a comunhão com Deus e a autoridade que a humanidade tinha sobre toda a Terra.  Essa autoridade foi perdida, pois a humanidade em concordância deu a Satanás quando desobedeceu a ordem de Deus. Com isso começa-se o desenvolvimento do Império das Trevas que avança por meio da desobediência e busca exercer controle através da manipulação.

A segunda comunidade profética é iniciada em Abraão por meio da promessa de um filho, seguida por Isaque o filho da promessa, cresce com Jacó que se torna Israel e constitui doze tribos cada uma liderada por um de seus filhos, por meio de José o povo se estabelece no Egito, se tornam escravos. Deus liberta o povo através de Moisés que lidera o povo, Deus dá os dez mandamentos e instruções para construção do tabernáculo (um lugar físico que comunicava uma realidade espiritual), instituição de festas, instruções sobre como tratar a terra, como relacionar-se, como educar as crianças, dá instruções de saneamento, de alimentação e etc. Deus através de Moisés segue transformando-os em nação por meio de princípios de Educação, Família, Comunicação, Economia, Artes, Governo e Religião no caminho do deserto seguem em direção a terra prometida. A entrada na terra acontece com Josué que em parceria com Deus conquista a terra em quase sua totalidade e estabelece a recente nação de Israel. Neste ponto a segunda comunidade profética entra em um período de decadência então Deus levanta de tempos em tempos Juízes para julgar a terra. Samuel foi o último juiz, com ele se inicia a companhia de profetas e também é usado por Deus para ungir um rei para Israel Saul e logo depois Davi. Davi o homem segundo o coração de Deus recebe a promessa de que seu trono permaneceria para sempre, traz de volta a arca que foi tomada no período anterior a Samuel. Ele entende o propósito de Deus e estabelece um tabernáculo, que na verdade era uma tenda, onde Deus era louvado vinte e quatro horas por dia sete dias por semana tornando conhecido reverenciado na Terra, nasce nele o desejo de fazer uma casa para Deus, o templo, que foi construído por seu filho Salomão o grande sábio e o homem mais rico que já existiu na Terra. Com Salomão o reino de Israel atinge o seu ponto mais alto o templo é construído e aprovado por Deus com sua manifestação sobrenatural. Logo após Salomão o reino se divide reino do norte e reino do sul no norte ficam as dez tribos e no sul ficam as tribos de Judá e Benjamim é mais um período de decadência com Deus levantando sacerdotes, profetas, reis e outros homens tendo em vista a restauração. Depois de anos de exílio, volta para terra, restauração do templo. Temos um espaço de mais ou menos 400 anos até o inicio da terceira comunidade profética.

A terceira comunidade profética é a Igreja, se inicia efetivamente após a vitória de Cristo sobre Satanás. Jesus por meio da obediência muda a condição e a posição da humanidade através de Sua obra. Ele que é chamado de segundo Adão nasce nas mesmas condições de Adão sem pecado, mas diferente do primeiro Adão que cedeu a tentação praticando a desobediência Jesus permaneceu firme e obedeceu até o fim, quebrando o sistema das trevas resgatando assim legalmente a autoridade que a humanidade havia perdido.

Anunciado por seu primo João o Batista que veio no mesmo espírito de Elias preparando o caminho para o Messias por meio da pregação de arrependimento, durante batismo com João o Espírito Santo vem sobre ele em forma corpórea (pomba) e o Pai afirma sua identidade “Este é meu filho amado em quem me comprazo.” Conduzido ao deserto pelo Espírito Santo para ser tentado pelo diabo, resiste às três tentações do diabo e sai do deserto, depois de quarenta dias de jejum, no poder do Espírito. A partir daí Jesus manifesta a realidade do Reino de Deus e demonstra por meio do seu comportamento, ensino, pregação, auxílio aos necessitados, curas, sinais e maravilhas o que é o Reino e como ele se movimenta. Caminha por três anos com doze discípulos e os posiciona como os primeiros apóstolos (enviados, embaixadores) deste Reino. Multidões o seguiam até as mulheres (desprezadas na época) o seguiram, participavam de seus ensinos e algumas auxiliavam seu ministério. Foi o homem mais humilde, mais manso, sincero, amoroso, compassivo e justo que existiu sobre a Terra o homem perfeito em tudo.

Foi obediente até a morte e morte de cruz, ressuscitou ao terceiro dia recuperando toda autoridade deu aos seus discípulos e os fez filhos de Deus.

A partir disso capacitou os seus discípulos a cumprirem o propósito eterno de Deus através do Espírito. Por meio da sua obra ele levantou um novo povo, os nascidos de novo, vivendo em uma nova realidade, influenciando por meio da obediência são guiados pelo Espírito. A Igreja a terceira comunidade profética a família de Deus que vive na terra aprendendo a ser como Jesus manifestando o Reino, transformando lugares, praticando a justiça, vivendo em amor e unidade, caminhando em fé e esperança proclamando a sua volta para desfrutar plenamente deste Reino de paz, justiça e alegria no Espírito Santo.

Precisamos resgatar uma cosmovisão bíblica, pois o tamanho de nossa visão determinará o tamanho do campo de nossa ação e uma cosmovisão bíblica nos mostra que o trabalho que temos é muito maior do que tem sido pregado e ensinado para a maioria dos seguidores de Jesus hoje. Precisamos compreender a importância disso. Estamos assentados com Cristo nas regiões celestiais e fomos feitos filhos de Deus.  É fundamental tomarmos o conhecimento de nossa função no corpo o corpo de Cristo.

O corpo de Cristo possui muitas funções e muitas expressões que ainda não tem sido levadas em consideração. Através do resgate de nossa cosmovisão bíblica seremos levados a compreender nossa finalidade e nossa identidade estes são fundamentos necessários para sermos cooperadores eficazes para o cumprimento do propósito eterno de Deus. Que a mão do Senhor esteja sobre nós para que a Igreja cresça e que o Reino avance.

Referências
¹Extraído do Livro – Modelo Social do Antigo Testamento – Landa Cope
²Extraído do Livro – Modelo Social do Antigo Testamento – Landa Cope
³Extraído do Livro – Plantando Sementes para o Avivamento – Martin Scott

No amor de Jesus,

Pedro Quintanilha ><>